Parabéns, Jóbson!

Publicado  sexta-feira, 11 de junho de 2010


O mundo do futebol tem vários exemplos de traições. Tita nunca aceitou não jogar em sua verdadeira posição, ainda que o dono dela fosse ninguém menos que um certo rei Arthur. Há dois anos, Ronaldo traiu mais de uma década de declarações de amor ao Flamengo para cumprir as ordens do seu patrocinador e jogar pelo Timão. Emerson Sheik parece cada vez mais próximo de trocar os gritos da torcida rubro-negra pelas saudações no Fluminense. Todos eles têm muito a aprender com o ex-jogador do Brasiliense.

É rara uma atitude como a de Jóbson. Dificilmente ele não sabe que se valorizaria mais no Flamengo, mas fez o que podia para jogar no Botafogo, clube que o projetou para o Brasil. O "novo capetinha", como chegou a ser chamado, quase jogou a carreira fora por ser flagrado no doping por uso de cocaína. Não pode mais desperdiçar chances de obter sua independência financeira. Mas preteriu o campeão brasileiro que disputa a Libertadores em três dos últimos quatro anos (o Botafogo está fora da competição há 14 anos) por uma questão de identificação.

Alguns comentaristas esportivos também atuam como estagiários de gestão esportiva e gostam de encher a boca para dizer que não existe mais amor a camisa. E que ninguém mais joga pelo time do coração. Eles se esquecem que muitos trabalhadores preferem salários menores a uma empresa onde têm mais amigos e recusam propostas de outros centros para ficar perto de parentes. Todo mundo quer algo de alguém. Porém, no futebol é cada vez mais raro que alguém queira primeiro retribuir e receber carinho ao invés de ir para a melhor porta para a Europa.

Ainda existe amor a camisa. Os botafoguenses agradecem a Jóbson. Mas é o futebol brasileiro que lhe deve.

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