Da família à panela

Publicado  segunda-feira, 14 de junho de 2010

Luiz Felipe Scolari levou o Brasil ao pentacampeonato e consagrou o termo "família" pra definir a seleção. Não era só um time de craques, mas um grupo unido e disposto a correr por seu técnico. Família êh! Família ah! porque Denílson jamais reclamaria do banco, Ronaldo nunca esteve tão motivado e Rivaldo não se importava em dividir os holofotes. Uma Copa depois, a família deu lugar ao bonde e todo mundo sabe como terminou. Ao invés de um elenco que corria pelo seu líder, um bando mais interessado em bater recordes individuais de gols ou de jogos pela amarelinha.

Foi aí que em um clamor absoluto, Ricardo Teixeira optou por Dunga. A ideia era trazer de volta o espírito de grupo, coletivo e vaidades. Dunga trouxe essa esperança, mas nunca prometeu uma família. Parentes se unem pelo sangue, amor e passado. Respeitam suas diferenças, compreendem seus defeitos e, em momentos de dificuldade, se unem e vencem desafios que dificilmente seriam superados se estivessem desunidos. Dunga nunca prometeu compreensão, respeito ou união. Seu compromisso sempre foi com foco, disciplina e obediência. Felipão enfrentou os conflitos e vaidades de frente e os resolveu, o atual técnico da seleção nunca convocou conflitos. Mesmo que fossem artilheiros do campeonato brasileiro ou fundamentais para um time que quer ganhar a Copa.

O compromisso de Dunga é com a sua panela.

Em sua convocação, o ex-volante abriu mão de Victor, melhor goleiro do último campeonato brasileiro, para trazer Doni, um arqueiro medíocre que é reserva em seu próprio clube. O motivo? Ele enfrentou dirigentes de seu time para ser convocado. Ao mesmo tempo Dunga ignorou esse critério ao convocar um goleiro que não lutou pela sua convocação em outro momento. A coerência do nosso guia no futebol é apenas com suas linhas de pensamento e não com o futebol, esse assunto secundário para o responsável pela seleção brasileira.

É possível que o Brasil vença amanhã? Sim. A Copa do Mundo reserva muitas surpresas e a África receberá poucos craques. Um time com uma estrutura tática definida - a retranca entediante conduzida pelos lampejos de Kaká e dois volantes - pode surpreender, especialmente se os times mais fortes fracassarem. E em toda Copa isso acontece, com a dúvida de quantos serão. Em 2002, o futebol brasileiro venceu com uma família. Se o escrete canarinho vencer em 2010 será um título digno. Mas será que é esse o título que o futebol brasileiro merece ou a Copa que Dunga tomou para que pudesse xingar uma vez mais?

Dia 15/06: 15h30 - Brasil x Coréia do Norte
Dia 20/06: 15h30 - Brasil x Costa do Marfim
Dia 25/06: 11h - Brasil x Portugal

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