A Copa sempre estará meio cheia

Publicado  quinta-feira, 10 de junho de 2010

O clichê de discutir otimismo e pessimismo com a pergunta se o copo está meio vazio ou meio cheio pode funcionar em qualquer situação. Afinal, a coisa boa dos clichês é que eles nunca deixam de fazer sentido. E nenhuma competição tem um amontoado tão grande de lugares-comum quanto a Copa do Mundo. Absolutamente nenhuma.

Você encontrará o craque em fim de carreira, a seleção desacreditada que surpreenderá a todos, os deuses que cairão e serão taxados de arrogantes e o gênio que conduz os operários ao título. Também haverá algum erro que confirmará uma injustiça do capitalismo ou um juiz míope que corrigirá alguma desigualdade socioeconômica. Não há Copa sem a falha de um deus ou a imortalização de um herói. Haverá presidente honesto, mas jamais veremos uma Copa sem que um jogador termine uma partida prostrado no chão, a imagem da própria derrota. E em cada uma dessas fotografias da derrota, todos os países terão uma fração enorme de comovidos.

Exceto, talvez, se essa for a imagem da seleção Argentina, certo?

A Fifa pode se recusar a acabar com as falhas humanas de árbitros e fazer da próxima Copa do Mundo uma farra de dinheiro público, mas e daí? Ainda que disputemos um Mundial com uma seleção pouco brasileira no futebol, não dá para ignorar a competição. Apesar de tudo isso será a Copa do Mundo. E isso basta.

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