A África está aí. Mas quem a vê?

Publicado  terça-feira, 22 de junho de 2010


Foi por pouco. Muito pouco que Camarões não avançou na Copa de 90 contra a Inglaterra. Os leões chegaram mais longe do que parecia possível e encerraram sua participação na Itália com uma volta olímpica. O estádio aplaudiu. Quatro anos depois, aquela participação ainda assombrava o "secado" Parreira, que dedicou atenção especial do time para marcar um envelhecido Roger Milla. Camarões dava medo.

Não muito tempo depois, a Nigéria de Kanu arrasou o Brasil em uma vitória épica. Não há time nacional que envergue as cores verde-branca de forma tão descomunal como aquele grupo, campeão olímpico.

E durante todo esse período, Gana foi um osso duro de roer e a Costa do Marfim fez uma campanha simpática em 2006 e revelou um grande atacante: Drogba. Um atacante que o Brasil não tem.

Mas o que houve com as seleções africanas?

Em que floresta ficaram seus guerreiros?

Em que teia prenderam suas almas alegres?

As seleções que jogam esta Copa não têm mais a inocência que marcou os times africanos, mas perderam também toda energia e felicidade. A Nigéria com seu envelhecido Kanu seria rebaixada na série B do campeonato carioca. A África do Sul tem todos os piores aspectos da seleção brasileira de 94 sem Romário e Bebeto.

Justo agora, na primeira copa em um continente africano, as piores seleções africanas em décadas surgem! Amputadas de sua alegria por técnicos europeus. Reféns da burocracia tática que resolveram as defesas ingênuas, mas algemaram suas pernas.

E em tanta mediocridade, é quase uma ironia linguística ver que apenas um time parece ser capaz de surpreender.

Gana.

A ambiciosa Gana ainda conserva um quê africano. Talvez porque nunca tenha feito o mundo parar, a seleção ganense não foi vítima dos encantos ingleses, alemães e afins. Ela não atraiu os olhares famintos que destroem o bom futebol.

Que toda África tome para si essa Gana. Esta é a última Copa do resto de suas vidas.

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