O mais inglês dos zagueiros brasileiros!

Publicado  terça-feira, 29 de junho de 2010


Juan não comete faltas. Em campo, anda e se posiciona com uma elegância que mestre Didi aplaudiria. Não faz faltas. É de gestos discretos, poucas falas e avesso a entrevistas. Tem apenas uma insignificante falta nesta Copa, que lhe valeu um injusto cartão amarelo. Juan faz poucas faltas. Quase nenhuma. E ainda faz gols.

No Flamengo, teve Gamarra ao lado e era chamado de sucessor de Aldair ainda nas divisões de base. O estilo silencioso e eficiente combina com o tetracampeão, mas Juan joga na melhor zaga que o Brasil já teve. Resultado de um esquema defensivo, assim como o excelente entrosamento com sua contraparte Lúcio. Ambos são uma deidade-muralha quase impenetrável e indiscutíveis craques.

Seu jeito polido e fleuma irretocável, lembram o dos folclóricos mordomos britânicos. Juan sempre está no local certo, cumpre seu papel e raramente se faz notado.

As feições negras e o sorriso alegre não negam o passado carioca do ex-aluno do Pedro II e realçam ainda mais a singularidade do zagueiro, em um País onde tantos garotos se perdem nos primeiros minutos de fama. Juan é um exemplo de um futebol de tradição técnica e com foco na bola. Feliz é quem torce pelo time que joga. Dá gosto de vê-lo jogar.

Uma Holanda Dunguista!

Publicado  segunda-feira, 28 de junho de 2010


Derrotas como a tragédia de Sarriá trouxeram para a crítica esportiva e boa parte dos torcedores a convicção de que se deve escolher entre jogar bem e ganhar. O sem número de times medíocres que caem na primeira fase da Copa do Mundo não têm na mídia o mesmo destaque das seleções que encantaram e caíram. Do escrete mágico comandado por Zico até o mítico Carrossel Holandês é duro falar de grupos de incríveis jogadores que não têm a taça.

E é nesse conceito que a Laranja Mecânica afirma ter evoluído para o futebol. Com uma seleção que encanta bem menos do que outras gerações, porém mais pragmática e capaz de se defender melhor do que ataca. Após a primeira vitória convincente do Brasil, Dunga tem pela frente um time com tradições ofensivas que prega o que ele defende no presente. E crê que esta é a chave do sucesso.

E talvez seja isso que torne a Holanda um adversário perigoso: sua semelhança com o que prega o técnico da seleção brasileira. Porque um time mortal, mas que não sabe mudar sua forma de jogar encontra seu maior desafio contra um igual.

A Holanda Dunguista perde apenas para a Alemanha, talvez o combinado que melhor use a tradição ao seu favor, e é o último obstáculo antes de uma final. Afinal, dificilmente Gana ou Uruguai conseguirão segurar o time de resultados de Dunga. Será que a Laranja consegue?

Por favor, Bruno, seja inocente!

Publicado  sábado, 26 de junho de 2010


Há três anos atrás fiz uma matéria sobre um garoto que teria participado do assassinato de Tim Lopes. Ao menos, é o que o criminoso, que era do Rio de Janeiro, dizia quando foi preso em Alagoas, para onde tinha fugido por causa do aumento do número de policiais durante os Jogos Pan-Americanos na Cidade Maravilhosa.

O problema é que o nome do garoto nunca foi mencionado no inquérito. Porém, segundo o comandante responsável o jovem, que na época do assassinato era menor da idade, descrevia o episódio com riqueza de detalhes que apenas um cúmplice poderia fazer. Fiz quatro reportagens a respeito. Inclusive a cobertura da chegada do jovem ao Rio.

Na última, apurei que o garoto realmente fazia parte do bando de Elias Maluco, mas era um peixe pequeno e nada teve a ver com o brutal assassinato. Como era da quadrilha sabia da história melhor do que qualquer civil. Falou isso para ser respeitado na prisão e conseguir seus 15 minutos de fama. Conseguiu.

Rezo para que seja algo assim em relação ao goleiro Bruno, envolvido em uma suspeita de assassinato. Torço para que tudo fique bem, apesar de achar um caso bem complicado de se explicar.

Por favor, Bruno... Que você não tenha nada a ver com isso. Para o bem do esporte, do seu clube, de você e, principalmente, de uma criança inocente.

Dunga: deixa a gente ganhar também?

Publicado  sexta-feira, 25 de junho de 2010


Os lusitanos possuem um único "craque": Cristiano Ronaldo. O experiente e decisivo Deco não joga, mas será substituído pelo promissor xará deste blogueiro. O bom jogador Liédson está abaixo do excelente Luiz Fabiano, um goleador que não é craque mas bem mais competente. A defesa do Brasil é muito acima de qualquer uma que a seleção lusa já tenha sonhado.

Nenhum torcedor pode pensar em uma derrota amanhã. Apenas o oba-oba poderia causar um vexame. Porém, sabemos que Dunga nunca permitirá que seus jogadores relaxem. Afinal, ele nunca consegue.

Então a vitória amanhã pode ser fácil ou sofrida, mas virá. Tenha fé nisso, tenha fé na seleção. Todos sabemos que há muitos motivos para torcer pelo escrete canarinho, mas também queremos ter mais razões para vibrar com suas vitórias. Aliás, queremos todas.

Então, Dunga, por favor, não manche seu sucesso. Não estrague o clima de uma vitória em Copas do Mundo. Ela é de todos, inclusive dos que você acredita que torcem contra você. Embora só existam na Dungalândia, até esses gnomos querem ver o hexa. Todos eles estendem uma faixa "pra frente Brasil" em seu cerebelo, onde vivem.

Deixa a gente ser feliz, Dunga. Mesmo que para isso você precise ser zangado. E traga a taça para cá de novo.

A França dá o exemplo!

Publicado  quinta-feira, 24 de junho de 2010


Mesmo antes do desembarque de Les Bleus em solo francês, o presidente Sarkozy exigia que nenhum prêmio fosse oferecido para os jogadores. A ministra de esportes ignorou as afirmações do presidente da Federação de Futebol do país e afirmou que sua demissão é inevitável. A França não está disposta a esquecer o papelão que sua seleção fez.

Menos de uma semana depois da campanha pífia que a vice-campeã do mundo fez, marcada por cortes de jogadores, boicotes a treinamento e uma eliminação digna de piadas, o país reage para defender seu patrimônio cultural. E não é o Brasil, cuja identidade está irremediavelmente associada ao esporte, mas a França onde a culinária, cinema e outras artes exercem o maior fascínio do mundo.

Por que não fizemos o mesmo? Por que permitimos que Ricardo Teixeira se mantenha a frente da CBF? Por que não exigimos de cada jogador mais após o fracasso de 2006? Por que escolhemos a solução fácil de escolher um nome para resolver tudo, como se existissem soluções fáceis.

Por que é a França e não o Brasil que dá o exemplo?

Dunga: você é homem para pedir desculpas?

Publicado  


Aconteceu o que era mais previsível: em um regime democrático, o normal na maioria dos países fora da Dungalândia, o técnico da seleção brasileiro teve que se desculpar pelo péssimo exemplo que deu:

- Quero pedir desculpas ao torcedor brasileiro, porque ele tem sempre nos apoiado e não tem nada a ver com os meus problemas pessoais. Como brasileiro e como todo torcedor, só quero que me deixem trabalhar. O torcedor tem de estar feliz com a seleção.

É claro que Dunga ainda não se desculpou com quem xingou dos mais baixos termos. Preferiu uma saída pela tangente. Ao pedir "desculpas ao torcedor" e comentar problemas de saúde com entes queridos, o ex-volante ainda se martiriza por seus problemas pessoais como se fosse o único a sofrer.

Podem apostar: nesta Copa do Mundo certamente há jornalistas com pais doentes ou que perderam recentemente parentes próximos. Boa parte da imprensa perdeu o mestre Armando Nogueira, descrito como. Mas nenhum deles xingará alguém que os questione. Todos entendem que liberdade inclui o dever de ouvir questionamentos. E se alguém xingar, será devidamente punido pela sociedade.

Infelizmente não é assim na Dungalândia. Será que o nosso bravo técnico pedirá desculpas publicamente - da mesma forma que ofendeu - ao profissional - e, por extensão, toda classe e sociedade - que desrespeitou?

Ou será que Dunga não é homem o bastante para isso?

Seleção brasileira joga sem um craque goleador!

Publicado  


O primeiro centroavante que conheci na seleção brasileiro foi o craque Careca, artilheiro do São Paulo e melhor companheiro que Diego Armando Maradona já teve em clubes. Quatro anos depois Romário nos mostrou o que mestre Armando Nogueira descreveria como "chute oblíquo e dissimulado". E o baixinho faria muita falta nas duas copas seguintes, mesmo com o fenômeno Ronaldo, de dribles curtos, arrancadas destruidoras e chutes precisos. O destino apontava Adriano Imperador como sucessor, mas havia 2006 no meio do caminho. No meio do caminho, havia a Copa do Mundo de 2006.

Com o fracasso da Copa criou-se o clamor popular pelos chavões corporativos de comprometimento e serviu de desculpas para a panela de Dunga. E foi com uma teimosia disfarçada de coerência que o técnico que faz a Copa não valer a pena abriu mão de Adriano, centroavante com problemas pessoais que não atrapalhariam em uma competição curta em que teria tempo de ficar em forma. Ronaldo se encarregou de se excluir da competição. Após um 2009 promissor, perdeu a chance de transformar seu retorno definitivo em 2010 como uma realidade.

E como resultado temos Luiz Fabiano de titular, um jogador que na melhor situação possível sequer iria para a Copa é o nosso principal centroavante (que os deuses de futebol nos ajudem se precisarmos de Grafite). Dunga abriu mão do talento de Adriano e não pôde contar com o peso técnico de Ronaldo para apostar em um operário de gols. O mais fraco artilheiro com a amarelinha desde Serginho Chulapa.

O Fabuloso não tem nada com as escolhas do seu comandante. Afinal, é Copa do Mundo e ele foi o centroavante que mais levou a sério as convocações, junto com Wagner Love. Porém, o artilheiro do amor não foi capaz de fazer gols. Luiz Fabiano conseguiu cumprir seu papel com golaços mesmo não sendo craque. Será que isso basta?

Adiéu, France... France?

Publicado  quarta-feira, 23 de junho de 2010


Frustra um pouco todos os brasileiros, mas a verdade é que nossas últimas derrotas para a França em Copas do Mundo foi na bola. Na categoria de quem sabia jogar mais do que a gente. De consolo apenas o fato que Zidane, o mestre Didi francês, não jogará de novo contra nós. Mas para quem gosta de futebol, não deixa de ser triste ver que com o argelino radicado francês, se foi um pedaço do bom futebol.

Porque sem a elegância de Zidane, a França se despede de forma melancólica, patética e manchando uma história bonita que praticamente começa com Platini e cresce com o campeão do mundo em 1998. Uma história que repete a tradição cultural de um país influente no teatro, literatura e cinema. Aliás, o próprio futebol francês em seu auge é digno de Truffaut, como o escrete canarinho poderia ser.

E é emblemático que a França cometa seu pecado final. Após o corte de seu maior craque, motim de atletas e outras crises, era quase previsível que Domenech cometesse a grosseria final, na mesma Copa onde ninguém é mais rude que Dunga. Não cumprimentar o técnico Carlos Alberto Parreira é a deselegância final de um país que parece ter desaprendido não apenas a perder, mas principalmente a jogar.

Fica a torcida para que Les Bleus voltem e encantem. Até lá, a melhor descrição de sua participação na África se encerra com uma piada quase óbvia e com um quê de preconceito cultural: apenas na África a França tomou vários banhos. Adiéu.

A África está aí. Mas quem a vê?

Publicado  terça-feira, 22 de junho de 2010


Foi por pouco. Muito pouco que Camarões não avançou na Copa de 90 contra a Inglaterra. Os leões chegaram mais longe do que parecia possível e encerraram sua participação na Itália com uma volta olímpica. O estádio aplaudiu. Quatro anos depois, aquela participação ainda assombrava o "secado" Parreira, que dedicou atenção especial do time para marcar um envelhecido Roger Milla. Camarões dava medo.

Não muito tempo depois, a Nigéria de Kanu arrasou o Brasil em uma vitória épica. Não há time nacional que envergue as cores verde-branca de forma tão descomunal como aquele grupo, campeão olímpico.

E durante todo esse período, Gana foi um osso duro de roer e a Costa do Marfim fez uma campanha simpática em 2006 e revelou um grande atacante: Drogba. Um atacante que o Brasil não tem.

Mas o que houve com as seleções africanas?

Em que floresta ficaram seus guerreiros?

Em que teia prenderam suas almas alegres?

As seleções que jogam esta Copa não têm mais a inocência que marcou os times africanos, mas perderam também toda energia e felicidade. A Nigéria com seu envelhecido Kanu seria rebaixada na série B do campeonato carioca. A África do Sul tem todos os piores aspectos da seleção brasileira de 94 sem Romário e Bebeto.

Justo agora, na primeira copa em um continente africano, as piores seleções africanas em décadas surgem! Amputadas de sua alegria por técnicos europeus. Reféns da burocracia tática que resolveram as defesas ingênuas, mas algemaram suas pernas.

E em tanta mediocridade, é quase uma ironia linguística ver que apenas um time parece ser capaz de surpreender.

Gana.

A ambiciosa Gana ainda conserva um quê africano. Talvez porque nunca tenha feito o mundo parar, a seleção ganense não foi vítima dos encantos ingleses, alemães e afins. Ela não atraiu os olhares famintos que destroem o bom futebol.

Que toda África tome para si essa Gana. Esta é a última Copa do resto de suas vidas.

Vale a pena ganhar uma Copa com Dunga?

Publicado  domingo, 20 de junho de 2010




A pífia campanha da seleção brasileira dos anos 90 rendeu um apelido que falava bem quem era o culpado por aquela eliminação: a era Dunga. Quatro anos depois, o volante deu a volta por cima e ajudou o Brasil a ser tetracampeão. O jogador poderia ser grandioso e ter esquecido as ofensas que ouviu, mas foi humano - no mais baixo significado do termo - e xingou cada um de seus detratores em seu momento de glória.

Antes de Dunga, Carlos Alberto Torres escolheu beijar a taça. Depois dele, Cafu preferiu levantar o troféu enquanto se declarava para a esposa. Mas o capitão de 94 optou pelas ofensas.

Já são vinte anos desde a Copa de 90. Vinte anos. E dunga ainda gosta mais das ofensas do que o diálogo, a paciência ou a transparência. Dunga ainda vive sob seu auto-imposto ato institucional de regime militar.

Cego em sua loucura, o técnico da seleção brasileira consegue transformar uma vitória, que poderia fazer o torcedor voltar a gostar da seleção, em crise. Se acha sempre perseguido e parece crer que cumpre algum destino manifesto onde todos que o contestam são pilares de uma conspiração que almeja seu fracasso.

Não, Dunga.

O seu maior inimigo é você.

Foi você que viu - não se sabe onde - jornalistas pedindo Luiz Fabiano fora do time titular. Apenas você xingou Alex Escobar por um simples gesto que interpretou como reprovação. E se fosse? Será que só você tem direito a uma opinião, Dunga?

A superação pode vir pelo ódio, mas também pode chegar pelo amor ao esporte, pela gana de vencer e pelo respeito ao seu país. Dunga é mais exemplo para crianças e adultos do que o presidente da República. E ele prefere a raiva, a cara feia e os palavrões.

Ódio ou amor.

Nos dois casos, as vitórias não fazem ninguém acima de ninguém. É triste que o técnico do escrete canarinho faça parecer que gols são argumentos definitivos e que vitórias são salvo-conduto para a falta de educação. O futebol brasileiro se marcou no drible impreciso de Garrincha, na elegância de mestre Didi, na imprevisibilidade de Pelé, na objetividade de Romário e no poder de decisão de Ronaldo.

Dunga, o futebol brasileiro não é grande pelos palavrões. Vale a pena ganhar assim?

A vitória do torcedor brasileiro

Publicado  

A história da Copa do Mundo possui diversos exemplos de jogos encerrando antes da hora poradversários desleais conseguirem impedir um jogo pela violência física. É quando o futebol vira rúgby. Hoje, a Costa do Marfim ganhou sua partida desse esporte, pena que o jogo era de futebol.

Mesmo contra um fraquíssimo Brasil, a Costa do Marfim foi incapaz de jogar um futebol convincente. Diante de uma derrota inevitável, passou a bater sistematicamente e apelar para o rodízio de faltas. Tudo para impedir uma derrota por goleada, o que tornaria a classificação impossível pelo saldo de gols.

Primeiro foi Elano, que saiu por uma agressão covarde que comunicou a todos que os pontapés estavam liberados. E depois Kaká que completou sua péssima atuação com uma expulsão ridícula. Emblemático.

E foi com essa violência que a Costa do Marfim conseguiu o que Dunga nao foi capaz: fazer o torcedor brasileiro se envolver com a seleção novamente. Mais uma vez, cada brasileiro tomou as dores do escrete canarinho e se indignou com a violência.Mais uma vez comemoramos uma vitória na bola. Pode não ter sido a mais brilhante, mas na bola.


Pela primeira vez em muito tempo,o torcedor viu a seleção como uma seleção brasileira. Fica mais fácil torcer assim.

Com Itália, França, Espanha e Alemanha tão ruins... Desse jeito, Dunga será campeão.

Em nome de Joel!

Publicado  sexta-feira, 18 de junho de 2010

Tudo isso começou assim:

J: Loco?
L: Habla, Jefe.
J: Loco, tu vai pra Copa. E vai enfrentar aquele X-9 safado.
L: Acuma?
J: O Parreira, Locão! O Parreira! O cara me pôs lá pra segurar o pepino dele e quando resolveu voltar me cornetou e cavou a minha. Ele me quebrou!
L: Ah, Papa! Mas El Loco no estava acá!
J: É isso aí, Locão! Tu não tava. Mas agora tu fechou comigo e vai pra lá. Acaba com essa palhaçadinha.
L: Como no? La garantia soy yo! Deja comigo!

Flamengo: o ano ainda não acabou

Publicado  quinta-feira, 17 de junho de 2010

Por mais que sempre defenda que qualquer clube pense a longo prazo ao invés de trocar o almoço pela janta, é fato que torcida alguma vai assinar um pacto de paciência. Torcedor quer ganhar e quando perde, a pressão aumenta. E isso é ruim para qualquer gestão esportiva.


Por mais paradoxal que seja, é essencial que neste início de trabalho da nova diretoria do Flamengo - sim, porque, na prática a nova gestão só começou a trabalhar pelo futebol a partir da contratação de Zico - não se perca de foco a defesa do título brasileiro. Ganhar ou perder faz parte. O time de 81 também perdeu muitos títulos, mas disputou todos. E essa é a questão: hoje, o Flamengo precisa de um time competitivo.

O anúncio de Jean, zagueiro que nunca se firmou em clube algum, desanimou um pouco boa parte da torcida. Mas nas próximas horas o clube deve anuncar Renato Abreu, meia que pode ser bem útil se vier com a gana que o tornou titular ao invés da marra de alguns jogos. Aumenta um pouco a força física do elenco (e a falta disso já foi determinante para muitas derrotas), melhora a nossa qualidade em cobranças de falta e ganhamos um pouco de versatilidade com alguém que também joga mais recuado. É pouco, mas é um começo razoável especialmente se Zico conseguir renovar os contratos. E espero que o Galinho traga mais nomes.

O mais importante neste período é não sacrificar 2011 para salvar 2010. Dois ou três nomes de nível, tornam o time bem mais forte, se a base for mantida. Com ou sem Rogério (que está longe de contar com a minha simpatia), é possível buscar o G4 ao longo da competição e daí o título. É um novo começo para o Flamengo, mas o fim do ano ainda não chegou.

E se tinha dúvidas muito sinceras sobre o que a presidente Patrícia Amorim pensava disso, estou certo que Zico sabe. E vai pensar no presente, sem esquecer do futuro.

******

Originalmente publicado no Flamengonet e readaptado para este espaço.

A seleção sem clímax!

Publicado  quarta-feira, 16 de junho de 2010


Nas aulas de roteiro de cinema, todo bom aluno sabe que qualquer história precisa ter seu momento mais forte. Quando toda história chega ao seu ápice. O pensamento funciona para tudo na vida. Quem quer ter uma vida sem emoções ou grandes alegrias? Alguém sonharia com uma profissão sem nenhuma realização digna?

Dunga sonharia.

Sua seleção não tem clímax. Joga sem alegria ou objetividade. É o fim do drible em nome da destruição da firula, a nêmesis da alegria em nome de acabar com o oba-oba é a vitória do politicamente correto sobre a habilidade do jogador brasileiro. Não é à toa que o melhor momento do jogo foi antes de seu início: o choro sincero de Jong Tae-Se. Foi a única emoção que a primeira partida do Brasil na Copa rendeu ao torcedor brasileiro.

Pude assistir o jogo em uma sala de cinema, a convite do PagSeguro. Achei que seria ótimo ver um filme que Truffaut não pôde fazer. Porém, a seleção brasileira que entra em campo hoje é indigna da sétima arte.

Qualquer crítico de cinema classificaria essa produção como desonesta. Dunga convocou grandes nomes, os vestiu com a camisa canarinho, mas o futebol jogado foi digno de uma seleção asiática.

Estréias são sempre difíceis, mas isso não justifica a queda de produção tornando o time bem pior do que o da Copa das Confederações. O comandante se esconde por trás desses dados porque é mais um idiota da objetividade. É escravo dos resultados e acredita piamente que se ganhar a mais medíocre Copa do Mundo de todos os tempos, representará bem ao futebol brasileiro. Pois eu digo que o melhor para futebol brasileiro é não vencer essa Copa. Será mais digno. E talvez mais emotivo.

A camisa, a bandeira e o hino!

Publicado  terça-feira, 15 de junho de 2010


Não aceito uma seleção com três volantes ou com um técnico que ache normal vociferar palavrões e ofensas ao invés de exaltações de alegria ao levantar uma taça. Nunca engoli um dirigente que faz da Confederação Brasileira de Futebol o seu feudo particular e aceita marcar amistosos com ditadores sanguinários.

Jamais convivi bem com a escolha de bons meninos em detrimento dos grandes jogadores que não posam de coroinhas. Sei também que sempre me irritarei com a convocação de atletas que são bons em marcar, mas não sabem jogar. O Saber Jogar é pré-requisito para vestir a camisa da seleção de futebol do meu país. Me parece óbvio e ululante.

Porém, apesar de todos esses poréns há três coisas que ainda me emocionam. Eu ainda sou uma criança jogando três toques com a 11 de Romário. E aquela blusa dourada ainda me deixa feliz e me faz acreditar que aquele time representa algo maior no futebol. Da mesma forma, quando vejo a bandeira verde-amarela em qualquer lugar da arquibancada há algo em mim que está diante do sei-lá-o-quê mais importante entre os mais desimportantes sei-lá-o-quês.

E completando essas três coisas há o hino. E quando o hino toca, me lembro dos meus tempos de colégio, me lembro de todas as passeatas que fui e me recordo de todas as vezes que lutei e luto para o meu país melhorar. Seja no voto, em um protesto ou escrevendo uma reportagem ou uma crônica.

Porque acima de todas as desavenças há a seleção brasileira.

E, além disso, não há só o que ela representa no mundo do esporte, mas também para os brasileiros. Somos todos mais sonhadores, mais orgulhosos e mais lutadores com ela. Por isso, torça pela seleção brasileira e esqueça todos os problemas por trás dela. Porque esquecer e torcer por ela é um aprendizado para a lição mais distante: a de aprender a se orgulhar mais do Brasil, além do futebol. E a lutar por esse orgulho.

Da família à panela

Publicado  segunda-feira, 14 de junho de 2010

Luiz Felipe Scolari levou o Brasil ao pentacampeonato e consagrou o termo "família" pra definir a seleção. Não era só um time de craques, mas um grupo unido e disposto a correr por seu técnico. Família êh! Família ah! porque Denílson jamais reclamaria do banco, Ronaldo nunca esteve tão motivado e Rivaldo não se importava em dividir os holofotes. Uma Copa depois, a família deu lugar ao bonde e todo mundo sabe como terminou. Ao invés de um elenco que corria pelo seu líder, um bando mais interessado em bater recordes individuais de gols ou de jogos pela amarelinha.

Foi aí que em um clamor absoluto, Ricardo Teixeira optou por Dunga. A ideia era trazer de volta o espírito de grupo, coletivo e vaidades. Dunga trouxe essa esperança, mas nunca prometeu uma família. Parentes se unem pelo sangue, amor e passado. Respeitam suas diferenças, compreendem seus defeitos e, em momentos de dificuldade, se unem e vencem desafios que dificilmente seriam superados se estivessem desunidos. Dunga nunca prometeu compreensão, respeito ou união. Seu compromisso sempre foi com foco, disciplina e obediência. Felipão enfrentou os conflitos e vaidades de frente e os resolveu, o atual técnico da seleção nunca convocou conflitos. Mesmo que fossem artilheiros do campeonato brasileiro ou fundamentais para um time que quer ganhar a Copa.

O compromisso de Dunga é com a sua panela.

Em sua convocação, o ex-volante abriu mão de Victor, melhor goleiro do último campeonato brasileiro, para trazer Doni, um arqueiro medíocre que é reserva em seu próprio clube. O motivo? Ele enfrentou dirigentes de seu time para ser convocado. Ao mesmo tempo Dunga ignorou esse critério ao convocar um goleiro que não lutou pela sua convocação em outro momento. A coerência do nosso guia no futebol é apenas com suas linhas de pensamento e não com o futebol, esse assunto secundário para o responsável pela seleção brasileira.

É possível que o Brasil vença amanhã? Sim. A Copa do Mundo reserva muitas surpresas e a África receberá poucos craques. Um time com uma estrutura tática definida - a retranca entediante conduzida pelos lampejos de Kaká e dois volantes - pode surpreender, especialmente se os times mais fortes fracassarem. E em toda Copa isso acontece, com a dúvida de quantos serão. Em 2002, o futebol brasileiro venceu com uma família. Se o escrete canarinho vencer em 2010 será um título digno. Mas será que é esse o título que o futebol brasileiro merece ou a Copa que Dunga tomou para que pudesse xingar uma vez mais?

Dia 15/06: 15h30 - Brasil x Coréia do Norte
Dia 20/06: 15h30 - Brasil x Costa do Marfim
Dia 25/06: 11h - Brasil x Portugal

Que vençam os nigerianos!

Publicado  sábado, 12 de junho de 2010




"Que vençam os macacos!"

Era a manchete do jornal argentino Olé, "parabenizando" a Nigéria pela conquista das Olimpíadas de 96 sobre a Argentina. A Nigéria que eliminou o Brasil de forma cruel com um Kanu jogando no auge de sua forma.

Hoje, os dois times voltam a se enfrentar. A Nigéria contra a qual Maradona encerrou sua vida como jogador em Copas do Mundo ao enfrentá-la dopado, desperdiçando sua última chance de vencer mais um mundial. Maradona engordou e deixou de jogar por seu próprio descaso com a carreira. Do outro lado, Kanu quase abandonou os campos por problemas cardíacos. Hoje, também está irreconhecível. Os músculos que imitaram um frango em 96 se transformaram em uma pele mais fina.

Mas não importa a pele. Amanhã, é dia da Nigéria ganhar. É dia dos nigerianos se tornarem os censores do racista Olé e fazerem Maradona abaixar a cabeça mais uma vez.

Não é dia de Messi, Verón e muito menos Maradona. Vai, Nigéria. Conquiste a vitória que deve ser sua.

França X Uruguai: o melhor jogo da Copa!

Publicado  sexta-feira, 11 de junho de 2010

Dois sonhos que não se realizaram. Hoje são dois pesadelos comuns para todo Brasileiro que ama futebol: Uruguai e França. Sociólogos já escreveram diversas teses considerando a derrota de 1950 como o início do complexo de vira-latas. O momento em que o Brasileiro parou de acreditar no país.

Uma bobagem, sem dúvida. O Brasileiro já teve muitas chances para desconfiar do Brasil.

a França eliminou a geração de 82 em sua última oportunidade de conquistar uma Copa do Mundo, em 1986. Doze anos depois, Zidane e les bleux adiariam o sonho do penta mundial em quatro anos e massacrariam o escrete canarinho. Ainda não era o bastante. Quando parecia que teríamos uma revanche em 2006 - justamente contra uma seleção envelhecida, que perdera a chance de vencer a Copa anterior - o maestro francês impôs sua categoria enquanto nosso lateral-esquerdo ajeitava seu meião.

E quis o destino que essas duas seleções fizessem o primeiro confronto entre campeãs do mundo da Copa. Um jogo feio onde os dois times pareciam ter jurado um pacto: o de não jogar futebol. Não se sabe se por sangue ou palavra, mas ninguém parecia disposto a quebrar o tal juramento.

Só parecia. Na verdade, os atletas até tentaram e chegaram perto de algo que lembra vagamente o esporte bretão, embora com algumas particularidades como a falta de jogadas pelos lados e querer fazer gols sem chutes. Talvez fosse esse o esporte semelhante ao futebol que os maias jogavam com cabeças. A Jabulani pareceu menos macia para os jogadores.

No fim das contas, o empate em zero a zero não foi bom para ninguém. Sem uma atuação convincente ou um bom resultado, os dois times vão enfrentar uma semana tensa para melhorar. Sem dúvida, o melhor jogo da Copa do Mundo. Para os brasileiros. Viva.

Parabéns, Jóbson!

Publicado  


O mundo do futebol tem vários exemplos de traições. Tita nunca aceitou não jogar em sua verdadeira posição, ainda que o dono dela fosse ninguém menos que um certo rei Arthur. Há dois anos, Ronaldo traiu mais de uma década de declarações de amor ao Flamengo para cumprir as ordens do seu patrocinador e jogar pelo Timão. Emerson Sheik parece cada vez mais próximo de trocar os gritos da torcida rubro-negra pelas saudações no Fluminense. Todos eles têm muito a aprender com o ex-jogador do Brasiliense.

É rara uma atitude como a de Jóbson. Dificilmente ele não sabe que se valorizaria mais no Flamengo, mas fez o que podia para jogar no Botafogo, clube que o projetou para o Brasil. O "novo capetinha", como chegou a ser chamado, quase jogou a carreira fora por ser flagrado no doping por uso de cocaína. Não pode mais desperdiçar chances de obter sua independência financeira. Mas preteriu o campeão brasileiro que disputa a Libertadores em três dos últimos quatro anos (o Botafogo está fora da competição há 14 anos) por uma questão de identificação.

Alguns comentaristas esportivos também atuam como estagiários de gestão esportiva e gostam de encher a boca para dizer que não existe mais amor a camisa. E que ninguém mais joga pelo time do coração. Eles se esquecem que muitos trabalhadores preferem salários menores a uma empresa onde têm mais amigos e recusam propostas de outros centros para ficar perto de parentes. Todo mundo quer algo de alguém. Porém, no futebol é cada vez mais raro que alguém queira primeiro retribuir e receber carinho ao invés de ir para a melhor porta para a Europa.

Ainda existe amor a camisa. Os botafoguenses agradecem a Jóbson. Mas é o futebol brasileiro que lhe deve.

A Copa sempre estará meio cheia

Publicado  quinta-feira, 10 de junho de 2010

O clichê de discutir otimismo e pessimismo com a pergunta se o copo está meio vazio ou meio cheio pode funcionar em qualquer situação. Afinal, a coisa boa dos clichês é que eles nunca deixam de fazer sentido. E nenhuma competição tem um amontoado tão grande de lugares-comum quanto a Copa do Mundo. Absolutamente nenhuma.

Você encontrará o craque em fim de carreira, a seleção desacreditada que surpreenderá a todos, os deuses que cairão e serão taxados de arrogantes e o gênio que conduz os operários ao título. Também haverá algum erro que confirmará uma injustiça do capitalismo ou um juiz míope que corrigirá alguma desigualdade socioeconômica. Não há Copa sem a falha de um deus ou a imortalização de um herói. Haverá presidente honesto, mas jamais veremos uma Copa sem que um jogador termine uma partida prostrado no chão, a imagem da própria derrota. E em cada uma dessas fotografias da derrota, todos os países terão uma fração enorme de comovidos.

Exceto, talvez, se essa for a imagem da seleção Argentina, certo?

A Fifa pode se recusar a acabar com as falhas humanas de árbitros e fazer da próxima Copa do Mundo uma farra de dinheiro público, mas e daí? Ainda que disputemos um Mundial com uma seleção pouco brasileira no futebol, não dá para ignorar a competição. Apesar de tudo isso será a Copa do Mundo. E isso basta.

A Lição de Zico

Publicado  quinta-feira, 3 de junho de 2010


Entre tantas riquezas em cada declaração, não dá para negar que cada coletiva com o galinho é bem mais do que uma entrevista sobre esporte. Arthur Antunes Coimbra sempre dá uma aula sobre futebol e, mais, de como um ídolo deve se comportar.

E entre tantas lições, chama a atenção um fato simples, que quase passou em branco mas que vale a referência. Um repórter pediu que o nosso camisa dez beijasse nossa camisa. Zico recusou e lembrou que não precisava daquilo para mostrar que amava o Flamengo.

Reflita.

Quis o destino que na mesma semana Emerson negociasse seu retorno ao clube. O Sheik veio em baixa, sem clube e encontrou na Gávea uma casa. Teve um aumento que jogadores com mais serviços prestados não tiveram e se valorizou. Com a torcida gritando seu nome, saiu e saiu porque quis. E fora do clube, deu diversas entrevistas às lágrimas falando da saudade que sentia.

E ficava a pergunta: por que quis sair então?

Mas todos cometem erros. E com menos de seis meses de contrato com o seu atual time, Emerson começou a dizer que "lutava para voltar". Na briga política do clube, ele começou a negociar com outros clubes e esteve muito perto de retornar ao Morumbi. Mas não era da magnética que ele sentia falta? Não foi pelo Flamengo que Emerson deu dezenas de entrevistas a milhas de distância do Maracanã em que, às lágrimas, dizia que voltaria para cá?

E ainda em meio a tantas perguntas, diversos veículos informam que o Fluminense tenta atravessar a negociação que começou há semanas. Emerson pede mais do que ganhou em sua última passagem e boa parte dos torcedores não vêem problema já que há quem jogue menos no elenco e ganhe muito. Nesse ritmo, o Flamengo volta a dever salários e a pagar R$ 80 mil por quem nunca renderá dividendos do clube. Se Emerson achar que deve ir para as Laranjeiras, que vá. Há outros atacantes e, certamente, o Flamengo saberá sobreviver sem o sheik. Aliás, foi campeão Brasileiro sem ele.

Falta a Emerson aprender a lição de Zico. Dar entrevistas chorando, beijar a camisa e tecer elogios ao clube é simpático, mas não prova nada. Mais do que provar, o amor se exerce. Se Emerson quer voltar por amor, então que lute por uma multa rescisória mais baixa ou espere cumprir seu contrato lá e assine um pré-contrato com o Flamengo. Se quiser voltar por dinheiro e pelo Rio de Janeiro é um direito seu, mas que deixe isso claro. O #CRF pode ter problemas, pode não se dar ao respeito muitas vezes, mas é muito importante para seus torcedores. Eles preferem que seu nome não seja banalizado.

É hora de aprender a lição de Zico: beijar a camisa é pouco. E talvez seja mais respeitoso nem beijá-la em muitos momentos.

*****

Originalmente publicado no Flamengonet e readaptado para este espaço.