Ele veio, viu e venceu

Publicado  segunda-feira, 24 de maio de 2010



Já faz mais de um ano em que escrevi um texto lamentando os problemas que Adriano sofria. Na ocasião, o Imperador deixava de jogar para se recuperar dos problemas pessoais. Era triste ver um dos cinco melhores do mundo abrir mão da carreira dessa forma. Fechava o texto desejando boa sorte ao nosso camisa 10 e dizendo que quando ele se recuperasse que voltasse para a sua casa. Segue um lembrete:

Então que pare e reprense sua vida, Adriano. E se quiser voltar pra sua verdadeira casa e pra sua verdadeira torcida que seja com a cabeça no lugar e pronto para o lugar e para a paz que você merece e, principalmente, para o papel de craque que você é.

E olho agora a inevitável saída do imperador e percebo que os meus votos continuam os mesmos. Não guardo rancor dele, mesmo pedindo sua saída desde aquele lamentável episódio da bolha quando Adriano revelou que sua cabeça ainda não estava no lugar. Não gostaria que permanecesse, mas não me sinto alegre com sua saída do Brasil. A verdade é que assim como Adriano precisa se manter no topo após se reerguer, o Flamengo precisa aprender a viver sem ele.

Para muitas pessoas, a saída do principal atacante rubro-negro é indiferente. Discordo. Torço e torcerei muito por Adriano. A raiva que gerou nas últimas semanas tem a ver com o amor da torcida pelo rubro-negro, porque ele representa um pedaço dessa instituição. Um pedaço que poderia ser o melhor do mundo, mas algumas vezes se perdeu no caminho. Adriano é quase uma metáfora do que é o Flamengo hoje. E tão incrível quanto o seu potencial, é a frustração pelo seu desperdício.

Por isso, flamenguista, torça... Torça muito para que o Imperador volte para a Itália para o posto que foi seu. Porque mais do que torcer por Adriano, saiba que o sucesso dele também é um pedaço de sucesso para o Flamengo. As vitórias do Imperador sempre serão também um pouco suas, assim como suas derrotas. E esteja ele onde estiver, não lembre de bolhas, peso e outros episódios lamentáveis. Lembre do cara que voltou da Itália, abriu mão de milhões para ouvir a torcida cantar que só quer se orgulhar de ter a consciencia que o pobre tem o seu lugar. Adriano teve seus erros, mas voltou também por você e para ajudar a conquistar um título que muito flamenguista nem sabia mais como era. Então Adriano voltou para ajudar a você lembrar do que é o Flamengo ou, pelo menos, do que poderia ser.

Por isso tudo, não agradeça sua saída. Não agradeça ao Roma. Agradeça a Adriano. Porque dizer obrigado para o Imperador é agradecer também ao Flamengo, que segue imenso sem ele, mas segue também com ele.

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Originalmente publicado no Flamengonet e readaptado para este espaço.

Nada além de tudo!

Publicado  quinta-feira, 20 de maio de 2010



Não existe dúvida de que hoje à noite a tarefa rubro-negra está muito além da dificuldade. Precisa vencer por dois gols de diferença contra um adversário com quem jogou três vezes e nas três vezes fracassou. O time joga mal, a escalação não é a ideal para a torcida e o técnico e a diretoria... Bom, não é a hora de pensar na lógica.

Porque a lógica fatal e definitiva é que o Flamengo perderá hoje à noite.

Perderá sim. Fracassaremos. A torcida acordará na sexta-feira pela manhã de ressaca sem o gosto do álcool e irritados sem ter o que fazer. Os jornais chilenos desprezarão a história rubro-negra e só Deus sabe o que será do amanhã. Essa é a única lógica irrefutável que os resultados e os profetas da mediocridade tecerão.

Porém, nós sabemos que a lógica é um atleta enganador, que só faz gols em estaduais e só entra para jogar bem quando o jogo já está ganho.

Mais do que isso, sabemos que o Flamengo não é lógico.

Sabemos que o Flamengo está aí para tornar o impossível, possível. O rubro-negro tem como marca a superação do improvável. É sua marca cumprir a sina de demonstrar que nada está escrito se não vivemos. Porque é só nos momentos que existe o Flamengo.

O Flamengo não existe nas dependências da Gávea, não existe em uniformes de futebol. O Flamengo está onde não se vê. Está onde se sente.

Porque o Flamengo já existia antes que eu e você respirássemos pela primeira vez e existirá quando nós suspirarmos no nosso fim. Existirá quando o nada for a única coisa visível. Porque, apesar de todas as suas glórias, o Flamengo é abstratamente nada além de tudo. Ao menos, tudo que importa.

É a pureza do propósito que garante a firmeza da jornada. E não há nada mais puro do que o ser Flamengo nesses instantes.

Porque o Flamengo existe todos os dias para nos lembrar que somos nós que decidimos o nosso rumo. Há o Flamengo para que se saiba que ninguém é mestre de ninguém e que nada está tão alto que não alcancemos. Há o Flamengo para que reafirmemos nossa certeza de que somos senhores dos nossos destinos e capitães das nossas almas.

E se o seu destino é vencer, sua alma é, definitivamente, rubro-negra. Esta, senhores, é a única certeza imutável em suas vidas. E só nós entendemos o que significa. Porque só nós acreditamos.

E somente nós importamos nesses momentos.

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Originalmente publicado no Flamengonet e readaptado para este espaço. O texto foi ao ar horas antes do confronto com a Universidad do Chile em que o Flamengo perdeu e foi eliminado.