Grandeza não se proclama, se impõe

Publicado  quinta-feira, 30 de dezembro de 2010


Lá no início do ano, a presidente do Flamengo Patrícia Amorim criticou o então vice de futebol Marco Braz ao dizer que ele deveria "falar menos e agir mais". Chegamos ao final do ano e aquele conselho ainda serve para a própria dirigente.


O Flamengo possui mais de 30 milhões de torcedores, um orçamento astronômico e tinha, até pouco tempo, o maior orçamento do Brasil entre clubes de futebol (afinal, Ronaldo "come" boa parte do patrocínio corinthiano). E com tudo isso, esse ano seus dirigentes bradaram muito e mostraram muito pouco resultado.

Falou-se em supertime e até a penúltima rodada a briga era para não cair. A presidente ligou para um jornalista para garantir que Felipão estava vindo e ele veio, para o Palmeiras. E lá pelo início do ano ela disse que a briga pela oficialização de 87 "estava só começando" e ao ver a CBF sem reconhecer meses depois de nada fazer, o que fez? Enviou uma nota oficial assinada por todos os seus vices. Certamente, Ricardo Teixeira nem deve estar dormindo de tanta preocupação.

Na vida você não berra dizendo que é isso ou aquilo. Você deixa claro com atitudes. Na vida você não berra dizendo que é isso ou aquilo. Você deixa claro com atitudes. Cito Fernando Pessoa:

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Seria bom se ao invés de enviar notas sobre um problema com a CBF, os dirigentes agissem com algo mais além de receber salário por cargo no clube dos 13. Melhor ainda se ao invés de dizer que o empresário A ou B não é bem vindo, simplesmente parassem de fazer negócios com ele.

Na vida você não berra dizendo que é isso ou aquilo. Você deixa isso claro com atitudes. Seria bom se ao invés de enviar notas sobre um problema com a CBF, os dirigentes agissem com algo mais além de receber salário por cargo no clube dos 13. Melhor ainda se ao invés de dizer que o empresário A ou B não é bem vindo, simplesmente parassem de fazer negócios com ele.

Do jeito que está, só falta mesmo dar uma coletiva aos prantos renunciando à presidência para a piada ficar completa. Menos choro e mais compostura, Patrícia. O Flamengo deve ser grande em cada atitude e em cada dirigente.

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Originalmente publicado no Flamengonet.

Você sabe o que é o Asterisco?

Publicado  quinta-feira, 23 de dezembro de 2010


Asterisco é um termo que vem do latim asteriscum e do grego ἀστερίσκος. É o nome do sinal de pontuação * usado para marcar um rodapé no texto. Mas o Asterisco significa muito mais do que isso.

O Asterisco significa que houve um ano em que todos os clubes de futebol desse país assumiram a sua grandeza, colocaram de lado suas desavenças e trabalharam juntos para fortalecer o esporte ao invés de uma confederação vendida e corrupta. É a lembrança cabal que mesmo com chances de obter um título perdido, dirigentes agiram como cavalheiros e mantiveram sua palavra e acordo até o fim.

É parte da memória do futebol brasileiro. O Asterisco não era um jogador, mas também vestiu a camisa 10 para marcar o último título nacional do maior ídolo do time mais querido do Brasil. Para marcar a despedida do maior jogador de uma geração.

O Asterisco é uma cicatriz de guerra. De luta moral, ética e renhida. É visto como um adereço de grande valor mesmo por torcedores de outros times. O Asterisco é pintura de guerreiro, conquistada no campo de batalha sem nenhuma necessidade de apoiar A ou B em qualquer disputa eleitoral. O Asterisco está lá no título de 87 do Clube de Regatas do Flamengo.

O seu time tem essa taça?

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Originalmente publicado no Flamengonet e readaptado para este espaço.

4-2-3-Humildade!

Publicado  quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Dizia-se que o Bentão que era técnico. Disciplinador, fala bonita e conhecedor de inúmeros esquemas táticos. Gerações de jornalistas falavam maravilhadas do esquema vencedor com três zagueiros no Atlético-RJ e ninguém entendia muito bem ainda aquela formação em que três meias viravam dois atacantes ou dois volantes no XV de Barbacena. Só o Bentão.

Mas um dia calhou do Bentão sofrer aquela derrota imprevisível. Campeonato importante, final entre time grande e time pequeno. O Bentão estava no time grande, claro. E a derrota doeu. Calhou do elenco inteiro estar triste, chateado e nenhum dirigente ter a coragem de dar explicação. "Pô, Bentão... quebra esse galho. Fala lá com a imprensa".

E o Bentão foi. Posso contar um segredo? Ele tinha uma fala bonita, mas não era desses cultos não. Pelo contrário. O Bentão curtia repetir um monte de chavão nas coletivas, mas seu negócio mesmo era falar a lingua de jogador. Por isso, quando um repórter perguntou se faltou humildade ele falou que sim e encerrou a entrevista. Isso sem perguntar que diabos de posição seria aquela.

Ah, mas quer saber de uma coisa? Com o Bentão não tinha tempo ruim. Em todo treinamento dali pra frente ele passou a repetir pra todo ponta, beque e volante a mesma orientação: "vai na humildade! Vai na humildade!" Não é que funcionou? Agora o Bentão estava na final de um Mundial. E não parava falar de humildade. Isso resolve qualquer surpresa ruim, né não?

Dez anos da virada do século!

Publicado  segunda-feira, 20 de dezembro de 2010


3X0 são indiscutíveis e opressivos. Três gols de diferença são o parâmetro básico para o que se convencionou chamar de "goleada". 3X0 é imbatível, insuperável e irredutível. O 3X0 é o argumento definitivo de qualquer discussão de futebol.

Só que o Vasco é o time da virada.

E naquele dia, o Palmeiras aprendeu que se um jogo só acaba quando termina, nenhum placar era definitivo para um time que reunia Romário, Juninho Pernambucano, Juninho Paulista, Wágner e Euller. 4X3 aos 48 minutos. Indiscutível, imbatível, insuperável e irredutível.

Vasco da Gama a tua fama assim se fez.

Felipe é do Flamengo! E aí?

Publicado  domingo, 19 de dezembro de 2010

No rebaixamento do Corinthians em 2007 apenas ele e o jovem Dentinho se salvaram. Com uma enorme pressão ao seu lado, como o único ídolo da Fiel, forçou uma renovação com aumento. Caso raro em um momento tão difícil no clube. Desavenças comentadas, mas nunca confirmadas com o elenco complementam o perfil de Felipe, o novo goleiro do Flamengo. E não para por aí.

O rubro-negro precisava de um goleiro para substituir o inseguro e mediano Marcelo Lomba. Felipe tem boa envergadura, reflexos e agilidade. Se melhorar a saída de bola e corrigir suas saídas em escanteio, pode tranquilamente disputar uma vaga na seleção para 2014. Tecnicamente está no mesmo nível de Bruno. E espera-se que só nisso esteja próximo do ex-goleiro do clube.

O Flamengo tinha um problema e o resolveu. Mas o quanto adianta uma solução que cria outros problemas? Agora, é esperar quanto tempo Felipe levará para ser o atleta que corintianos conhecem muito bem ou confirmar um inesperado amadurecimento. O André Monnerat lembrou bem: insistir no erro é burrice.

15 anos do Botafogo campeão brasileiro!

Publicado  sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Com todo respeito aos torcedores do Santos, mas era o Botafogo que merecia ser campeão em 95. Ainda que a equipe de Camanducaia e Jameli tivesse o talento de Giovanni, não contava com a compactação tática do alvinegro comandado pelo então iniciante Paulo Autuori. O erro de Márcio Resende de Freitas não consolidou nenhuma injustiça, pelo contrário, premiou o melhor time.

Além de mais poder de decisão e de contar com um artilheiro inspirado - Túlio nunca mais teve um ano tão bom quanto aquele - a equipe fazia do seu 4-4-2 decisivo no poder de marcação. Os volantes Leandro e Jamir (outro que nunca mais teve o mesmo desempenho) eram marcadores tradicionais e não subiam, mas tinham excepcional desempenho no desarme. Sérgio Manoel, já negociado naquela final, e Beto apoiavam e ajudavam a cobrir os laterais Wilson Goiano e André Silva. Os alas não eram brilhantes, mas sempre foram eficientes.

Completava a formação duas duplas irretocáveis. O capitão Wilson Gottardo e Gonçalves fariam frente a qualquer zaga da era dos pontos corridos. Na frente, Tulio e o subestimado Donizete resolviam jogos como o clássico contra o Flamengo do ataque dos sonhos em Fortaleza em um incontestável 3X1. A frieza do Maravilha e o vigor do Pantera eram essenciais em um time com forte marcação, mas sem nenhum grande meia criativo.

O título salvou uma geração de alvinegros desacostumados com títulos nacionais. Depois disso, rebaixamento e campanhas medíocres tornaram o Brasileiro de 95 uma memória quase tão vaga quanto um sonho. Já é tempo do Botafogo - e da gestão Maurício Assunção - deixar a estrela solitária no topo novamente.

75 anos do São Paulo!

Publicado  quinta-feira, 16 de dezembro de 2010



75 anos. Hexacampeão brasileiro, tricampeão mundial e da libertadores. O que será o São paulo aos 100 anos?

Dentre os grandes, és o primeiro, né?

No meio do caminho havia um Roth...

Publicado  terça-feira, 14 de dezembro de 2010


... Havia um Roth no meio do caminho. Considerava o técnico do Internacional excessivamente criticado por boa parte dos torcedores em virtude de seus péssimos trabalhos em clubes como o Flamengo. Ainda assim não há como negar o tamanho da culpa que Celso Roth possui no fracasso do colorado no Mundial.

Técnico de estilo durão, Roth chegou a ser conhecido como "genérico de Felipão" em algum momento de sua carreira. Quem dera. Os trabalhos medianos são marcados por resultados parcos e títulos inexpressivos ao contrário de Scolari. Quis o destino que ele ganhasse a chance de de abandonar o Vasco para dirigir o Internacional a alguns jogos de vencer uma Libertadores. Roth conseguiu eliminar o São Paulo e fez questão de fazer um desabafo em direção à torcida naquele momento. Como se ali provasse ser um grande profissional. Faltava muito para isso ainda.

Roth mais uma vez demonstra que a longo prazo seus trabalhos sempre acabam mal. Após ser campeão intercontinental, o Internacional jamais demonstrou apego pela vitória e competitividade no resto do ano. A derrota para o Avaí, semanas antes do Mundial, e outros jogos em que o time esteve muito mal eram um aviso. Nenhum time fica tanto tempo sem gana impunemente. Ao campeão da Libertadores, melhor elenco do País e clube mais organizado fica o sabor amargo da derrota que nasceu de uma escolha pontual que durou tempo demais. Roth deveria ter ficado pelo caminho, mas o que passou foi a chance do bi mundial.

Um "pai" omisso

Publicado  segunda-feira, 13 de dezembro de 2010


A figura dos empresários atendeu a uma demanda antiga da categoria de jogadores de futebol. Em um país como o Brasil, dificilmente jovens que abandonaram os estudos muito cedo conseguiriam negociar contratos e gerenciar salários milionários. Não há dúvidas: os agentes atendem à uma demanda importante da classe. Em muitos casos, se tornam o mais próximo de uma figura partena que esses atletas terão.

É mais ou menos assim que Adriano identifica o ex-goleiro Gilmar Rinaldi. Como se fosse um pai, ainda que não seja aquele que morreu logo após o atacante fazer um gol decisivo na Copa América pela seleção. Mas é a única autoridade que o jogador parece reconhecer.

E é essa mesma autoridade que gerencia a carreira de alguém que só foge dos problemas. As dificuldades de Adriano o tiraram da Inter de Milão por duas vezes e o trouxeram para São Paulo e Flamengo. Gilmar o tirou do rubro-negro para levar o centroavante ao Roma. Era nítido que não era o momento do Imperador retornar para o país de onde havia fugido há menos de um ano.

Agora, Adriano parece querer voltar ao Brasil de novo. Palmeiras, onde talvez Felipão poderá ser um pai melhor, ou Corinthians, onde o amigo Ronaldo pode protegê-lo dos holofotes. Se conseguir, será mais uma fuga. E ainda que a Roma não pareça disposta a liberá-lo, fica a pergunta: o que Gilmar faz nessas horas?

Nossas avós fariam esse gol! - Parte 3

Publicado  sábado, 11 de dezembro de 2010



O blog é democrático. Se descobrirem um gol rubro-negro igualmente perdido, posto aqui também. :)

Na livraria mais próxima de você!

Publicado  sexta-feira, 10 de dezembro de 2010



Você não pode deixar de comprar. Patrícia Amadorim mostra todos os passos para acabar com um clube que tenha a supremacia nacional. Com este guia, você poderá provar para qualquer um que não existe clube que chegue ao topo, que não possa cair até ser rebaixado. Ou quase isso. Confira a opinião de quem já leu:

"Patrícia Amadorim é a melhor dirigente que o nosso clube poderia querer" - Francisco Horcades.

"Sabe quando você lê e pensa 'nossa, parece com algo que escreveria'. Foi isso que imaginei enquanto lia". - Eurico Miranda.

"O livro explica o que promete". - Márcio Braga.

"Espero que ela contribua com o 'Deixa que eu Chuto 2'. História engraçada pra contar eu sei que ela tem". - Renato Maurício Prado.

"Patrícia! Patrícia! Patrícia". - Torcida do Fluminense.

"Me disseram que foi um capítulo inteiro dedicado a mim. Não sei se mereço tanto." - Andrade.

"É legal a gente ter tanto trabalho e tanta dedicação registrado. Fiquei emocionado em ser tantas vezes citado". - Veloso.

A montagem é cortesia do rubro-negro Vinícius Rhein.

A ética do Corinthians

Publicado  segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Daria sim (a mala branca). Por que não? Um incentivo ao Guarani para ganhar, para não sofrer nenhum gol contra o Fluminense. Não vejo nenhum problema em dar incentivo para jogadores vencerem suas partidas. Virão muitas interpretações erradas, mas essa é minha opinião.

Ronaldo Fenômeno: na semana da última rodada em que o Corinthians precisava de uma vitória contra o Goiás e ainda torcer por um tropeço do Fluminense.

Era o time reserva, mas os caras correram para caramba. Até perguntei para um jogador deles o porquê de estarem correndo tanto. Tinha alguma coisa ali. Eles não correriam de graça. O resultado do Fluminense também acabou dando uma baixada na gente. Mas ano que vem tem Libertadores e uma nova experiência

Roberto Carlos: na saída do jogo em que o Corinthians não teve competência para vencer o alviverde goiano e perdeu o título para o time carioca.

Aqui se fala, aqui se paga. Mala branca no bolso dos outros é refresco, né?

Flu é concampeão!

Publicado  domingo, 5 de dezembro de 2010

O Fluminense merece. Nenhum time liderou por tanto tempo, nenhum time investiu tanto e nenhum dos postulantes ao título teve um jogador como Conca. E ninguém jogou como Conca. Pela segunda vez consecutiva um time campeão tem seu grande expoente como um meia-armador clássico.

Aquele que levanta a cabeça, lança, dribla e joga. Curiosamente, mais uma vez não é um jogador brasileiro.

Por esses absurdos que o mundo do futebol vê, Fred deve levantar a taça junto com o argentino. Se tivesse mais autocrítica o centroavante talvez abrisse mão de qualquer foto para deixar o grande craque do tricolor levantar a taça que ele ajudou ao comandar o time tantas vezes campeão. Conca merece.

O Fluminense também é campeão porque teve Muricy, que nunca me convenceu, mas que recusou a seleção para manter sua palavra. Em tempos de mala branca e pedidos de entrega ele honrou sua palavra e permaneceu no clube. O Fluminense é campeão por muitos motivos, entre eles porque merece. Parabéns ao tricolor.

Das malas brancas

Publicado  sábado, 4 de dezembro de 2010

Não somos apenas a geração do "Entrega". Também podemos declarar que vivemos a era do "qual o problema disso?" Afinal, tudo por baixo dos panos ganha contornos de brincadeiras inocentes nesse mundo em que o dinheiro comanda nossa moralidade.

Não há um só jogador em atividade que condene a mala branca. Quase todos negam já ter recebido (exceto os mais inocentes), mas é uma unanimidade entre atletas, inclusive os muito bem pagos, de que não há mal algum em aceitar dinheiro não se sabe muito bem de quem ou de onde. Para esses jogadores, os fins justificam os meios. "Se é pra vencer, tudo bem", dizem craques, líderes, referências... Atletas.

Essas quantias pagam impostos? Foram roubadas de alguém? Estão ligadas a algum crime? Eles não se importam. 'Por que não?', questiona o maior craque de um time postulante ao título.

São esses mesmos ídolos com pés e moral de barro que enchem a boca para reclamar da desorganização do nosso campeonato, de salários atrasados e da falta de respeito com sua categoria. São esses mesmos funcionários de instituições representativas, mas falidas que falam com uma enorme convicção moral ao lamentar a corrupção do Brasil, nossa desorganização e problemas nacionais. Pregam a honestidade alheia como se não fizessem parte de uma enorme cadeia aética. São mais um elo imoral dessa corrente negra que faz muita gente decente ter vergonha do Brasil.

Torcedor, não faça parte disso. Exija respeito com o seu clube e, principalmente, com a sua honestidade. Não aceite malas brancas.

Fernando fica?

Publicado  sexta-feira, 3 de dezembro de 2010


De mais bizarro, na permanência do volante Fernando não é só seu desempenho ruim ao longo de 2010. Ele chegou para substituir Airton, vendido ao Benfica, e falhou miseravelmente. Apesar de alguns gols no Estadual, o cabeça-de-área nunca se firmou no time titular e foi perdendo espaço. Nem mesmo com Vanderlei Luxemburgo ele foi usado.

Com Rogério Lourenço, Fernando perdeu mais uma para o volante Antonio, cria de base do Flamengo. O mesmo Antonio, segundo o BID da CBF, já pode assinar pré-contrato com qualquer clube. Afinal, seu compromisso termina em maio de 2011 assim como o de Lennon, outro jogador formado no clube e que joga na mesma posição que Fernando. Coincidência ou um indício de que ambos podem sair? É preocupante.

Não para por aí. Luxemburgo e Willians não parecem ter se dado bem. O técnico já criticou publicamente um dos maiores roubadores de bola do brasileiro e o volante limitado parece acreditar mais do que deveria em seus elogios. Apostaria em um campeão brasileiro a menos para a próxima temporada.

Como disse, o mais bizarro na permanência de Fernando não é sua atuação ao longo do ano. O pior é a importância que ele pode ter no elenco de 2011. Pior do que tá, pode ficar sim.

Update: entre as razões para a permanência do volante, Luxemburgo garante que "vê potencial" no irmão de Carlos Alberto. Então porque a renovação só ocorreu por um ano? Para que o jogador descubra do que é capaz e peça o dobro dos salários no fim do ano ou saia de graça? Estranho. Muito estranho.

Nossas avós fariam esse gol! - Parte 2

Publicado  quarta-feira, 1 de dezembro de 2010




O Meia Jakub Blaszczykowski, do Borussia Dortmund, aprendeu direitinho com seu colega do Qatar. O lance bizarro aconteceu no dia 21/11, pelo campeonato alemão. O jogo acabou 2X1 para o Borussia. Ufa.

5 Motivos para Palmeiras melhorar em 2011!

Publicado  terça-feira, 30 de novembro de 2010

No post de sexta-feira, não ficou muito claro o porquê de acreditar que o Palmeiras do próximo ano será um time bem mais forte. Para a coisa ficar mais objetiva - este é um blog de crônicas, oras - resolvi dividir tudo em tópicos. Lá vai:

1- Felipão: Muita gente não percebe, mas Luiz Felipe Scolari sempre demora a emplacar seus trabalhos. Foi assim no Criciúma, Grêmio, no próprio Palmeiras, e até na seleção brasileira, tanto que muita gente que respeito não acha o trabalho dele tão bom assim. Pra mim, depois que emplaca é um sai de baixo... Seus times costumam vender caro qualquer derrota, ser muito objetivo para conquistar resultados (especialmente em mata-mata) e fazem jogo duro à qualquer time anos-luz melhor tecnicamente. O Ajax que o diga.

2-O time: Essa aqui é dura de engolir e eu sei que a maioria dos palmeirenses não quer nem ouvir falar desse elenco, mas vamos lá: o Palmeiras tem dois meias que são artigo raro nos dias de hoje. Valdívia e Lincoln podem jogar juntos (desde que o chileno pare de se machucar) e Kléber e Éverthon são boas opções de ataque, desde que haja um centroavante mais qualificado como opção, e Marcos Assunção pode ser uma arma fatal desde que não seja a única desse time. Está pintando que sem libertadores os reforços serão modestos, mas acredito que o time volte mais qualificado.

3- O Clube: o Palmeiras guarda fortes semelhanças com o Flamengo quando o assunto é política interna. Porém, em 2011 a coisa não tem como ser pior do que esse ano mesmo que a situação vença a oposição no pleito. Claro que resultados ruins vão complicar e a transferência de Valdívia é realmente estranhona, mas não acredito que com as eleições acabando o Parque Antártica continue em chamas como está. As coisas vão melhorar.

4- A torcida: Olha, essa aí é a parte mais duvidosa da coisa. A cena do garotinho japonês chorando no último jogo revela um pouco não só do que o torcedor sentiu como também o estado de calamidade pública da torcida alviverde. A Mancha Verde, turma do Amendoim e sei lá mais quem brigando com todo mundo e entre si. Já expulsaram Wagner Love, Keirrison, Luxemburgo e parecem não querer descansar até conseguirem repetir o triste espetáculo da torcida do Coritiba em 2009. Eu espero mesmo que a torcida melhore, esqueça o passado e dê mais apoio ao time. Não é uma opção. É questão de sobrevivência. E por isso mesmo acho que ela vai melhorar.

5- Tiririca: Bom, essa você já conhece, né? Eu detesto o ditado e acho que sempre pode piorar, mas depois de um ano tão ruim acredito que os remanescentes no elenco farão de tudo para apagar 2010. Aposto em um grande campeonato paulista ou Copa do Brasil (Felipão já levou a taça pra casa mais de uma vez) e, por pura intuição, não duvido que o Palmeiras obtenha ao menos uma taça em 2011. A tendência é melhorar.

Entenda porque seu time não deve "entregar"

Publicado  domingo, 28 de novembro de 2010

Existe um limite para o tolerável quando o assunto é torcida. Se tolera que o torcedor xingue, faça ameaças cruéis e até mesmo use casos lamentáveis contra rivais. Porém, não é razoável se tolerar que qualquer torcedor peça ao seu time para entregar o resultado, em nome de uma rivalidade besta que apequena seu próprio time.

Lembre-se torcedor: pedir aos seus jogadores para entregarem é apoiar cada pessoa que fura uma fila ou que paga suborno para escapar de uma multa. Quando você esquece de qualquer ética para obter uma pequena vitória ou um momento minúsculo de alegria, apequena não só ao seu time, mas a você também.

O futebol é um reflexo do que nós somos. O torcedor que subverte as regras para vilipendiar seu rival repete o mesmo expediente de governos que se beneficiam com leis e licitações sem desrepeitar nenhuma lei, mas sem código de ética algum também.

Pense em seus amigos, na sua família e entes queridos. É esse o mundo que você quer para todos eles?

Como torcedores somos todos xiitas e fanáticos, aprendemos a só considerar os erros contra nós e julgar como acerto apenas o que nos favorece. Mas a bola rola por 90 minutos e depois nada mais nos resta a não ser nós mesmos. Pense com você mesmo: é essa a sociedade que queremos aceitar?

Nosso destino é tolerar a geração do "Entrega"?

O Palmeiras será melhor em 2011. E os outros?

Publicado  sexta-feira, 26 de novembro de 2010


falei por aqui do efeito que derrotas podem gerar. Muitos times ficam tão marcados por fracassos que crescem justamente para que eles sejam esquecidos. O Palmeiras teve na noite da última quarta-feira uma das mais inesquecíveis derrotas de sua história, ao perder para o Goiás o confronto pela Sul-Americana.

Luiz Felipe Scolari não foge de lutas e é conhecido por dar resultados em todos os times que trabalha, ainda que sem apresentar um futebol vistoso. Seu Palmeiras jamais convenceu os puristas da turma do Amendoim, mas sempre foi um time de entrega e luta. Esse espírito combinado à perícia mortal de Marcos Assunção bastou para várias vitórias. Cedo ou tarde fracassaria.

O Palmeiras de 2010 é uma triste lembrança, mas Felipão não vai deixá-lo ser esquecido. Muitos rivais fazem as tradicionais gozações e se esquecem do que pode vir por aí. Com Lincoln, Kléber, Valdívia e Assunção com mais reforços, tudo deve mudar. No próximo ano, o time do Parque Antártica será melhor. E os adversários?

Finalmente um ídolo!

Publicado  quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Mesmo nos anos em que o Botafogo encantava o Brasil com times ofensivos e bem articulados, a torcida cantava o nome de Cuca e de jogadores que não faziam jus à sua história. O amigo Marcelo Tavela chegou a falar que o time de 2007 era melhor do que o campeão brasileiro de 95, naquela época. Ainda assim, não havia ídolos. Lembro bem de discussões bizarras com outros botafoguenses que pediam até mesmo a convocação do mediano Lucio Flávio para a seleção. Garrincha teria espamos.

Esse ano algo mudou. El Loco chegou. O centroavante do Uruguai não é brilhante e nem iria à uma Copa do Mundo pelo Brasil, mas tem personalidade para cobrar pênaltis, gritar com os companheiros e mostrar cojones à torcida como forma de exibir os brios.

2010 não será um ano tão bom para a torcida botafoguense quanto poderia. Mas o que fica desse ano é a chegada de um ídolo. Tulio Maravilha tem seu herdeiro e ele promete deixar muitas alegrias como legado. Resta saber se nos próximos anos, Loco Abreu será tão solitário quanto o símbolo do clube.

O que o Vasco quer de 2011?

Publicado  quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Ao final de um rebaixamento cuidadosamente engendrado por Eurico Miranda, Roberto Dinamite começou a preparar um 2009 melhor para o Vasco. Contratou o promissor Dorival Junior e o inteligente Rodrigo Caetano e aposentou de vez 2008 ao descartar uma extensão do contrato de Edmundo.

Aos poucos, Dinamite vem minando aqueles acertos. Deixou Dorival sair para que o técnico fosse o maior vencedor do primeiro semestre e agora pode perder seu gerente de futebol. Caetano é disputado por Grêmio e Fluminense e sempre emplaca trabalhos com resultados duradouros. Infelizmente, não pode resolver tudo sozinho. Mesmo PC Gusmão, o melhor técnico do clube este ano, não parece próximo de permanecer.

Dinamite parece cair no engodo do dirigente centralizador. Apaixonado por sua própria figura como cartola, talvez acredite que seja capaz de manter os avanços da Cruz de Malta sozinho. Nem mesmo o maior artilheiro de campeonatos brasileiros é maior do que a instituição. Ou do que seu futuro.

Update: Vejam vocês, Dinamite parece ter acordado. Embora não haja nada assinado, parece que Rodrigo Caetano deve permanecer assim como PC Gusmão. Não se conquista nada sozinho. Parabéns para o presidente do Vasco por isso. Com a permanência de ambos, aposto em um time cruzmaltino bem forte para o próximo ano.

Manifesto em repúdio a Ricardo Teixeira

Publicado  terça-feira, 23 de novembro de 2010

A Associação Nacional dos Torcedores, sociedade legalmente constituída para combater as atrocidades e desmandos existentes no esporte nacional bem como lutar pelos reais direitos de todos os torcedores-cidadãos brasileiros, vem à público, por meio desta carta manifestar sua indignação e exigir providências quanto às últimas notícias envolvendo Ricardo Teixeira, CBF e Comitê Organizador Local para Copa 2014.

Nos últimos dias, foi veiculada em diversos canais de imprensa a notícia de que Ricardo Teixeira, atuando como pessoa física, é sócio da Confederação Brasileira de Futebol – CBF, (entidade a qual é presidente – ou dono) para formação do Comitê Organizador Local para a Copa de 2014, o COL.
O contrato social registrado na Junta Comercial do Rio de Janeiro prevê, divisão das cotas de participação na sociedade em 99,99% à CBF e 0,01% à Ricardo Teixeira.

Prevê ainda, em seu parágrafo 1º, apesar das divisões, que, o sócio Ricardo Teixeira poderá decidir e endereçar eventuais lucros provenientes da Copa 2014 da maneira que bem entender. Há fortes indícios de irregularidades nesta sociedade.

O futebol é patrimônio da sociedade, a Copa do Mundo vai custar 17 bilhões de reais, mais do que um ano de Bolsa Família, a serem gastos sobretudo em estádios (leia-se empreiteiras em festa).

Por essa razão, há interesse público sobre tais fatos, sobre os quais exigimos explicações.

Exigimos a dissolução imediata de tal sociedade e que o COL seja formado por pessoas isentas, de confiança de toda a sociedade ou que o tipo social seja alterado para sociedade sem fins lucrativos.

É de interesse de todo cidadão saber o destino dos eventuais lucros obtidos pela Copa de 2014 bem como qual a formação diretiva do COL.

Exigimos como cidadãos que somos que as autoridades apurem esses fatos de maneira implacável.

Exigimos respeito, tratamento digno e honestidade.

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS TORCEDORES


Jóbson e outros se perdem cedo demais

Publicado  segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Mostrar a bunda para um torcedor adversário, doping por drogas, se atrasar em treinos e ser criticado publicamente pelos companheiros. Jóbson não tem nenhuma convocação para a seleção e nenhum título expressivo no currículo, mas já se comporta como uma grande estrela do futebol mundial. Nem mesmo Ronaldinho Gaúcho conta com tantas "escapadas".

Ele não é o único. O mais comum no futebol brasileiro são projetos de craques que se acomodam muito antes da hora e se perdem no futebol. Jóbson é um bom finalizador, um grande driblador e dono de arrancadas expressivas. Teria uma carreira promissora se já não estivesse caindo nas armadilhas que o futebol oferece.

Jóbson já tomou as decisões corretas antes. Resta saber se o desgaste que ele mesmo criou no Botafogo ainda vai lhe dar essa chance. Ele perde muito, mas o futebol também.

Por que o Botafogo 2010 não é o Flamengo 2009?

Publicado  domingo, 21 de novembro de 2010

Houve algum momento neste campeonato em que o alvinegro tinha espaço e uma tabela favorável para uma arrancada tão avassaladora quanto a de seu rival em 2009. Porém, o Botafogo perdeu o rumo, as chances de título e tornou uma disputa pela Libertadores, algo inédito há anos, quase impossível. Os motivos têm explicação na falta de ambição das últimas gestões do clube.

Em boa parte do campeonato, Joel Santana contou com uma defesa sólida, a velocidade de Maicossuel e Jóbson e a presença de área de Loco Abreu. As opções comuns no banco como Edno e Fahel encaixavam bem no time, mas demonstraram a fraqueza do elenco botafoguense a partir da contusão do Mago alvinegro e de Marcelo Mattos.

Há anos o Botafogo tem montado elencos medíocres e apostando em trabalhos pouco ambiciosos. Essa temporada a diretoria trabalhou e montou um elenco bem acima dos últimos anos. É torcer para manterem esse foco, dispensarem jogadores como Lúcio Flávio que representam uma era de vices estaduais e fracassos e que tragam novas referências.

O alvinegro deste ano ainda não é o que o torcedor quer, mas agora os botafoguenses sabem que o tamanho dos seus sonhos é da medida do brilho da estrela solitária. Desde que a diretoria continue ambiciosa. É mais do que se espera do Flamengo de Patrícia Amorim.

Rivaldo está de volta!

Publicado  sábado, 20 de novembro de 2010

Verdade seja dita, Rivaldo pode ter seus pecados como jogador, mas é o avesso do que vemos em jogadores hoje. Não é um metrosexual que posa com celebridades em boates como Cristiano Ronaldo e nem tampouco um astro viciado em orgias e autodestruição como Adriano. Nunca foi de se atrasar a treinos ou brigar com os companheiros.

Ele é uma espécie de antijogador para o torcedor Fifa Manager. Nunca foi de buscar o melhor lance de efeito ou de jogar para si. No início de carreira era um jogador moderno: apoiava e marcava. A partir do Palmeiras de 96 passou a jogar como um quarto homem que mais apoiava do que qualquer outra coisa. O time jogava para ele e Vanderlei Luxemburgo sabia que isso bastava.

Depois foi para a Europa e apesar de um ou outro problema nunca precisou de entrevistas polêmicas para chamar atenção. Titular absoluto em 2002, foi esquecido em 2006. Pena. Talvez precisássemos de um bem-comportado Rivaldo ao invés de tantos boêmios. Pessoalmente, nunca fui fã de Rivaldo, mas gostei de seu retorno ao Brasil. Quem sabe não teremos um exemplo melhor para nossos jogadores?

Eles têm Messi. E nós?

Publicado  quinta-feira, 18 de novembro de 2010


Talvez vencêssemos a Copa de 58 sem Pelé, mas seria muito mais difícil repetir esse desempenho em 70 e, certamente, não conseguiríamos o Mundial de 62 sem o poderoso Garrincha. Em 94 tínhamos Romário. E Romário é rei, ou melhor, era.

Todas as seleções tinham "o cara". Desde 2002 nós não temos. Zico assumiu a responsabilidade de uma geração e carregou todos os seus pecados, Romário não teve a seqüência que merecia graças ao seu passado e Ronaldo se cansou dos sacrifícios para jogar em alto nível. Adriano poderia ser o herdeiro da camisa 10, mas parece indeciso entre a profissão de celebridade e a de pseudoatleta. A seleção não pode esperar muito dele.

Ganso ainda é uma incógnita e mesmo apostas que tenho para 2014 não são nem perto de uma realidade. Oscar, Neymar e outros ainda têm muito o que provar. Ronaldo Gaúcho e Kaká não serão essa referência. A Argentina tem Messi e o Brasil não tem um craque. Somos órfãos de Pelé, Garrincha, Zico, Romário e Ronaldo. Mano Menezes pode fazer muita coisa, mas não têm o poder de tornar bons jogadores em craques. E isso fará falta.

Imagem: Globoesporte

A Copa do Mundo é nossa?

Publicado  quarta-feira, 17 de novembro de 2010



Perturbadora a reportagem do Lance! (a charge acima foi retirada de lá) sobre a possibilidade de Ricardo Teixeira, presidente da CBF, obter 100% dos lucros do Comitê Organizador Local. Pelo contrato social, a Copa do Mundo tem um novo dono. Afinal, Teixeira poderá mandar em qualquer assunto do comitê ao acumular os cargos de sócio, dirigente e responsável por representar a CBF. Confira os trechos que falam sobre como ele pode influenciar na divisão de lucros ao seu favor.

O procurador regional da Junta Comercial do Rio de Janeiro Gustavo Borba registrou um parecer indicando as irregularidades. Vale lembrar que a CBF é uma entidade sem fins lucrativos, vejam vocês.

Vamos torcer para que a vontade de receber a Copa do Mundo não iniba as autoridades de impedir a corrupção. É assustador percerber que podemos perder uma grande oportunidade com os Jogos Olímpicos e Copa pela falta de fiscalização. Aliás, tá aí uma boa bandeira para o PSDB defender, não?

Nossas avós fariam esse gol!

Publicado  terça-feira, 16 de novembro de 2010



O camisa 7 do Qatar, Khalfan Fahad, pode até ser jogador de futebol profissional, mas quem perdia gol assim nas peladas do meu prédio pedia para sair. Experiência própria.

Fonte: Brasil Mundial FC

A quem interessa que o Flamengo tenha estádio?

Publicado  quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Patrícia Amorim é vereadora do Rio de Janeiro, eleita pelo PSDB-RJ. É o mesmo partido de Zito, prefeito de Duque de Caxias, que ofereceu um terreno ao Flamengo para um estádio de futebol em sua cidade. Melhor seria que a nova costrução fosse na Cidade Maravilhosa, mas o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, teria dito que o Rio está sobrecarregado de estádios. Paes é do PMDB, partido que faz parte da coligação presidencial, de oposição ao PSDB.

O mundo do futebol e da política vive de coincidências. Das perturbadoras até as descaradas.

Pergunte a qualquer candidato a governador ou presidente da última eleição se ele foi financiado por alguma empreiteira. Vai ser difícil achar algum herói que dê uma resposta diferente. Construtoras contribuem com todas as vertentes e coligações possíveis e, certamente, não é por ecletismo ideológico. Contam com esse apoio para conseguirem novos contratos e sustentarem seu negócio.

Não tenham dúvidas de que há mesmo investidores interessados em bancar esse estádio. Nenhum deles por amor ao Flamengo, mas por ambição mesmo. E quando acabarem, isso aí será da instituição. Seu estádio, sua casa e seu karma. Seja lá como for.

O Flamengo precisa de um estádio seu. O Maracanã é sustentado pelo clube e usado por grupos políticos como máquina eleitoral há décadas - em 16 anos já elegeu um deputado e um prefeito - e o clube colabora com isso enquanto não mostrar firmeza em adquirir sua casa. Mas para ter uma, o Flamengo tem que pensar em mais do que simplesmente arquibancadas.

Ou alguém imagina o "Caxiazão" recebendo shows internacionais e amistosos da seleção?

Desse jeito, é melhor esperar o Maracanã mesmo. Por coincidência ou não, aposto que ele reabre antes desse estádio ganhar nome. Vai saber.

O goleiro de 103kg

Publicado  terça-feira, 9 de novembro de 2010



"Sr. Pizza" parece o nome de algum típico personagem do universo de Ziraldo ou o apelido de algum amigo de infância. Na verdade, no mesmo planeta de "São Marcos" ou "Rogério Air Ceni" esta é a forma que o terceiro goleiro do Ajax é chamado pela torcida.

Jeroen Verhoeven tem 30 anos, mede 1,97 e pesa 103 kg, incomum para um goleiro. Pelo vídeo acima você pode imaginar se faz ou não diferença para seu desempenho em campo. "Se eu só comesse batata frita e bebesse cerveja não estaria aqui, não teria chegado onde cheguei. Eu treino sete vezes por semana com o time e ainda faço vários treinos individuais", revelou.

Confira o carinho da torcida com seu reserva:



Oooh PIZZA!

Flamenguista: cobre de Patrícia Amorim!

Publicado  domingo, 7 de novembro de 2010

Patrícia Tamborim, Omissa Amorim, Patrícia Amadorim... Pouco importa o nome. A vereadora pelo PSDB-RJ sempre se elegeu usando o nome do Flamengo para convencer o eleitorado de que era uma boa gestora. Entre os sócios do clube, já engana menos pessoas.

Tome nota dos contatos da vereadora Patrícia Amorim:

Email: patricia.amorim@camara.rj.gov.br
Telefone: (21) 3814-2121 Ramal: 2132 a 2135
Fax: (21) 3814-2132

Na noite deste domingo, o Flamengo entrou de vez na disputa contra o rebaixamento, a quatro rodadas do fim do campeonato. Patrícia Amorim entrou em campo aos sorrisos para dar uma placa ao volante Willians. A presidente recebeu de Márcio Braga um time campeão brasileiro, um clube pacificado politicamente e com patrocinadores babando pelos espaços na camisa.

O que ela fez com tudo isso? Destruiu sistematicamente um time campeão, dividiu a instituição e rompeu com a torcida que não vai mais aos jogos e desvalorizou os espaços na camisa. O torcedor não pode se omitir. Se Patrícia usou o Flamengo para ter uma vida pública, seu eleitorado deve cobrá-la também com votos e no gabinete da câmara. Faça sua parte, flamenguista.

Enquanto isso... No elevador da Gávea!

Publicado  quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Estava na Gávea outro dia com meu filho, de 1 ano. Peguei o elevador da sede social junto com a Patrícia Amorim. Ela ficou fazendo gracinha pro moleque e, antes do elevador parar, perguntou o nome dele.

Respondi, secamente, "Arthur". Ela engoliu em seco e o elevador ficou num silêncio sepulcral.


Além disso, é só chegar no parquinho da Gávea e gritar "Arthur", que uns 5, das mais variadas idades, vão correr na sua direção.

Seria interessante saber se existe alguma Patrícia batizada em homenagem a essa vereadora.

Isso deve querer dizer alguma coisa...

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Comentário de um sócio-proprietário no Flamengonet.

Espalhe o Compartilhe!

Publicado  quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O Compartilhe é uma ação da Rede Mastercard com a ONG Visão Mundial com o objetivo de ajudar crianças de comunidades carentes de diversas formas, incluindo o esporte no projeto Esporte e Cidadania. Para ajudar é simples e não custa mais do que o seu vocabulário.

Entre no site do Projeto e, em seguida, doe uma palavra que simbolize uma emoção sua em relação ao projeto. Pronto. Você já fez a sua parte. :)

Quanto mais interações, mais rápido o projeto vai ser escolhido pela Mastercard. Participe e compartilhe.

Felipão confunde obrigações!

Publicado  terça-feira, 2 de novembro de 2010

O termo "liturgia do cargo" apareceu na imprensa pela primeira vez por meio do ex-presidente José Sarney. Então vice de Tancredo Neves em 1985, o senador pediu licença para "a liturgia do cargo" para reproduzir o sinal positivo do presidente do Brasil sobre seu estado de saúde (Tancredo morreria semanas depois). A expressão designa obrigações quase cerimoniosas que um cargo confere ao seu representante.

A crise entre Luiz Felipe Scolari e a imprensa passa pela falta de conhecimento sobre o que o cargo de técnico do Palmeiras impõe. Como cidadão, Felipão não tem mesmo a obrigação de dar entrevistas ou satisfação sobre seu trabalho a ninguém que não seja seu patrão. Como técnico de um dos times mais populares do Brasil tem, ao contrário do que disse. E nos dois casos, não pode desrespeitar outros profissionais.

O futebol é um meio repleto de grosserias. É provável que o técnico do Palmeiras já tenha ouvido coisa pior em seu ambiente de trabalho. Porém, um erro não justifica o outro e não vai ser aos berros que Felipão conseguirá mais paciência de jornalistas. Respeito todo mundo gosta, até quem escolheu trabalhar onde se xinga a mãe.

Respeite uma nação: pergunte-me como

Publicado  quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Hoje é dia do Flamenguista. Infelizmente, não vou fazer uma elegia ao torcedor, falar do último jogo ou dos sonhos dos flamenguistas para 2011. Vou aproveitar a data para pedir respeito. Respeito a 35 milhões de torcedores. Respeito a quem tornou o Flamengo o que ele é: a torcida. E, acima de tudo, vou pedir transparência.

Recentemente surgiu na internet um blog Autodefesas Unidas do Flamengo, com a intenção de abordar os bastidores do clube. O espaço tem posts que repercutiram bastante na internet, em especial o que aborda o maior fracasso do clube no século 21: a saída de Zico do cargo de diretor-executivo. Não tem como negar quem quer que escreva naquele espaço é alguém (ou "alguéns", vai saber) com ótimo estilo e que deve saber bastante coisa da instituição. O problema é outro.

O Autodefesas Unidas do Flamengo já foi moderado e banido do blogspot uma vez e retornou em um novo endereço. Não sei se isso ocorreu por decisão judicial, mas não me importa. O que incomoda é ver um espaço falando dos bastidores do clube sem que o(s) autor(es) se identifique(m), ainda que os textos nos dêem uma idéia bem clara de qual ex-presidente apóia. É um símbolo da desunião e politicagens que fazem o campeão brasileiro brigar para não cair.

Trabalho com redes sociais há quatro anos (você pode conferir uma apresentação a respeito aqui) e sei que um dos maiores valores para começar o trabalho é a transparência. Já perdi trabalho porque disse ao cliente que ele não estava pronto para começar um trabalho assim. Não sei se o Flamengo está. Mas sei que não é com textos anônimos que vão construir o clube que a torcida quer, por mais que sejam opiniões verdadeiras.

Sou a favor que todas as alas do Flamengo tenham um blog. No ano passado, os principais candidatos criaram perfis no twitter para divulgar suas campanhas (o que melhor utilizou a ferramenta foi Plínio Serpa Pinto), mas simplesmente abandonaram depois da eleição. Seria ótimo todos os flamenguistas saberem o que pensam e o que planejam as alas políticas do clube. Mas, por favor, façam isso com respeito e transparência.

Não tentem manipular 35 milhões de apaixonados. A nação exige - e merece - respeito.

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Originalmente escrito para o Flamengonet e readaptado para este espaço.

A ética de Felipe

Publicado  terça-feira, 26 de outubro de 2010

Rivelino foi amado pelo Fluminense e pelo Corinthians. Romário ainda é respeitado mesmo passando por Flamengo, Vasco e Fluminense. Jogar em outros times não é apenas normal em tempos de profissionalismo de futebol, mas digno para quem consegue ser respeitado por tantas torcidas. Não é tarefa fácil.

Felipe surgiu de forma brilhante no Vasco da Gama. Passou pelo Flamengo e depois por Fluminense. Em todos os clubes seus dribles deixou saudades, mas seu comportamento não. Atitudes polêmicas, longas passagens pelo departemento médico e indisciplina. Muita indisciplina. O Felipe de sempre se manifestou ao final do último clássico: 'Já joguei no Flamengo. Na dúvida, é deles' .

Este é Felipe. Enquanto esteve na Gávea não se manifestou, mas agora que está do outro lado põe sob suspeita tudo o que conquistou com a camisa rubro-negra. Infelizmente, o ex-lateral só não percebe que ao jogar essa parte do seu passado na lama também mancha seu nome. Afinal, quando Felipe não foi beneficiado? Quando não compactuou com o que acha errado? Quando não omitiu ou mentiu a respeito?

Gérson até hoje se arrepende do comercial onde dizia que "gostava de levar vantagem em tudo", o que gerou a expressão Lei de Gérson. Talvez agora, possamos criar a Ética de Felipe: aquela que só vale quando somos prejudicados. Seus defensores só lembram do que é errado quando são afetados. Ao menos é o que parece. Afinal, Felipe, nos diga: como funciona sua ética?

A liderança de Conca

Publicado  segunda-feira, 25 de outubro de 2010



O Fluminense talvez perdesse o jogo se Washington batesse mais uma vez um pênalti decisivo. Acostuma a sumir em momentos cruciais (como na final da libertadores de 2008 quando perdeu seu pênalti), W9 já havia sacrificado o time ao tentar bater uma penalidade máximo em um minuto tenso. Com isso na cabeça, o tímido argentino tomou a bola e bateu o pé. Quase como se imitasse o Capitão Nascimento ao dizer: "a responsabilidade é minha. O comando é meu"*.

Sim, o comando é de Conca.

É do melhor jogador do campeonato brasileiro o recorde de assistências e principais jogadas do líder do campeonato brasileiro. Ao contrário de Fred e Emerson, que passam mais tempo no departamento médico do que em campo, Conca jogou todas as partidas desse Brasileiro. Sua justificável queda de produção coincindiu com a ausência de resultados do tricolor.

Faltando poucas rodadas para o fim do brasileiro, Conca persiste, se esforça, luta e briga. O Fluminense é líder do campeonato brasileiro, e é o meia argentino que parece ser o coração do time. Representante de uma torcida que vem dando espetáculos há anos, ele não está disposto a deixar essa liderança mudar de mãos agora. Dêem a bola para Conca.

*Ótimo sacada do amigo Thales.

A ânsia destrutiva do torcedor

Publicado  quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Mais do que torcer, o torcedor sente. E ao sentir, muitas vezes a paixão cega qualquer torcida positiva. Mais do que vibrar, muitas vezes queremos que nossos jogadores sejam deuses quando são apenas humanos. E há quem não controle esse sentimento.

Pedimos garra, seriedade, corrida... Tratamos garotos que jogam futebol como se fossem nossos filhos travessos que precisam de puxões de orelha diários. Pedimos humildade, nenhum sorriso .... Características que são o avesso do drible e do craque. Exigimos que revelações não apenas joguem bola, mas defendam nossas bandeiras morais ou até mesmo religiosas. Transformamos o futebol em um duelo de ideologias.

Não aceitamos mais que errem. E quando erram, exigimos que peçam desculpas de joelhos, que chorem e, se possível sangrem para expiar seus pecados. Seus ou nossos? Buscamos messias em homens que deveriam apenas jogar bola. Passou do tempo de cada torcedor enxergar o futebol como uma diversão e não como uma disputa de metáforas de nossas inseguranças.

Queremos ver gol, drible e jogadas. Parem de transformar o futebol em uma guerra santa.

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Publicado também no Futirinhas.

G3 não virou G4

Publicado  terça-feira, 19 de outubro de 2010

Não se iludam. Dificilmente seu time se classificará para a libertadores com o quarto lugar no Brasileiro. A Sul-Americana é uma competição de baixíssimo nível e, dificilmente, o Palmeiras de Felipão e o Atlético-MG de Dorival não conquistarão a vaga. Ricardo Texeira foi fraco e não conseguiu privilegiar o campeonato nacional. Times como o Vitória tiveram mais chances de chegar à Libertadores do que Flamengo e Corinthians.

A Conmebol há anos trata o futebol brasileiro abaixo do que merece. E a verdade é que o Brasil nunca teve a força política que acredita. É só lembrar que fim levou a questão da altitude. Times continuam expostos a esta aberração.

A conversão do G4 em G3 é apenas mais um triste capítulo de um futebol que não se respeita. Fossem sérios, os times brasileiros anunciariam sua retirada da Taça Libertadores e da Sul Americana. No fim das contas, cumpriremos o riscado e ainda haverá quem comemore a Sul-Americana. É triste.

O goleiro mais rápido do mundo!

Publicado  segunda-feira, 18 de outubro de 2010



Parece fake, mas é real. O cara é rápido mesmo.

O sistemático São Paulo

Publicado  sábado, 16 de outubro de 2010

Não lembraremos das escalações do tricampeão brasileiro entre 2006 e 2009. Mas lembramos dos títulos e de como ocorreram. Seja com campanhas absolutamente indiscutíveis até arrancadas avassaladoras em que o time encaixava e parava de perder. Não há clube mais perigoso em pontos corridos do que o São Paulo.

Após fazer o quarto gol no clássico San-São, Jean entregou que o elenco tricolor não se dá por vencido. "Essa vitória nos coloca de volta para tudo. Título, libertadores..." Quem sabe o que o SPFC ainda poderá fazer no campeonato brasileiro de 2010 após esta vitória?

É cedo para dizer, mas com líderes cada vez mais vacilantes, ninguém pode descartar o time. O Corinthians que se cuide. Pode ter um centenário pior do que parecia.

Cem anos por Ronaldo?

Publicado  sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O Corinthians perdeu a liderança, o técnico e, aparentemente, o rumo. É improvável que retome dois desses elementos, quanto mais todos eles. André Sanchez já busca um técnico, mas para cada Parreira que recusa haverá sempre um Mário Sérgio disponível. Ainda que o presidente do Timão encontre um novo técnico que acerte os ponteiros a curto prazo, é improvável que sem um novo elemento o Parque São Jorge encontre uma taça para seu centenário.

Ainda que contratações não sejam mais possíveis, essa novidade pode surgir na pele de Ronaldo Fenômeno. Se ele recuperar a forma que alcançou no primeiro semestre de 2009 nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro será meio caminho andado para o Corinthians se recuperar. Não tomar gols será a outra metade.

Será que Ronaldo ainda tem tempo para essa superação? É improvável. Porém, poucos atletas já superaram o descrédito como o Fenômeno já fez. Uma nova arrancada para o tetra nacional pode ser o início de uma despedida digna dos gramados. É mais do que ele vem fazendo por merecer.

A base de Mano

Publicado  quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Com três listas de convocação Mano Menezes parece indicar quem serão os jogadores mais próximos da Copa do Mundo de 2014. Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz, Lucas, Ramires, Alexandre Pato e Robinho. Quase um time. Certamente um bom time.

Vamos analisar um por um?

Daniel Alves: o lateral-direito teve algumas chances com Dunga na Copa da África, mas nenhuma em sua real posição. É o artilheiro da era Mano até aqui e pode mudar o perfil da posição. Ao invés de um ala vigoroso como Cafu ou Maicon, entra um jogador mais inteligente, habilidoso e versátil. Pertence a mesma escola de Jorginho. Seu sucesso pode ajudar Léo Moura a ganhar uma chance como seu reserva, caso o técnico prefira um substituto com as mesmas características. É difícil pela idade do capitão do Flamengo, mas vale a esperança para os rubro-negros.

Thiago Silva: o "Monstro" do Fluminense talvez já pudesse ser titular na África do Sul com as constantes contusões do titular Juan. Ainda que a dupla da última Copa tivesse poucas ou nenhuma falha, não dá para deixar de pensar se um jogador mais jovem e rápido não poderia tornar tudo ainda melhor. Sorte do time que tiver ele em campo.

David Luiz: Talvez o elo mais fraco dessa base. David Luiz chegou sem alarde e não vem decepcionando. Mas acredito que possa perder a vaga para outros jogadores como o jovem Réver (Atlético-MG). Não duvido que termine fora da lista final.

Lucas: Há dez anos, era difícil achar volantes que soubessem fazer algo mais além de marcar. Hoje, isso virou padrão e é nessa geração que o ex-volante do Grêmio precisa disputar sua vaga. Muito acima do superestimado Hernanes ele vai ter que disputar a vaga com outros jogadores da posição como Jucilei, Elias, Willians e Airton. Qualidade e confiança do técnico ele tem. Sai na frente, mas vai ter que mostrar serviço.

Ramires: O que teria acontecido se o ex-volante do Cruzeiro não tivesse tomado aquele fatídico amarelo antes do jogo contra a Holanda? Ramires deixou um gostinho de quero mais com suas atuações vigorosas e técnicas. Difícil imaginar qualquer meio campo que não comece com um jogador que agregue tantas características positivas como altura, velocidade e técnico.

Alexandre Pato: Talvez seja a maior incógnita dessa nova geração. O atacante do Milan vem em boa fase, mas jogando em outra posição no seu clube, assim como Nilmar. Vai disputar posição com novos valores como Jonas e Diego Maurício e Mano não parece disposto a ver a Europa como critério.

Robinho: O novo capitão da seleção parece ser outra figurinha certa no Brasil em 2014. Com duas copas nas costas, um estilo versátil que lhe permite atuar em mais de uma função, é difícil pensar em um ataque que não tenha Robinho. Porém, não duvido que ele esteja entre os convocados, mas acabe de fora do time titular.

O momento de Cuca?

Publicado  segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Inegavelmente, Cuca tem diversas virtudes como técnico, mas todas caíram em descrédito. Com derrotas inacreditáveis e saídas tumultuadas, ele recebeu o pior pagamento de um profissional do futebol: o rótulo. Medroso, chorão, traíra, pipoqueiro e outros apelidos que colam, fizeram o responsável pela montagem do São Paulo campeão mundial em 2005 e o Flamengo campeão brasileiro de 2009 ser encarado como um profissional fraco.

Cuca arma seus times sempre jogando para frente. Consegue os ataques mais positivos das competições que disputa, descobre jogadores que muitas vezes só rendem em seus times (André Lima que o diga) e nunca escondeu sua predileção por jogadores jovens. Infelizmente, o nervosismo excessivo e a falta de tato no relacionamento com os jogadores lhe fez colecionar anos de fracasso até, finalmente, ser campeão pela primeira vez ao conquistar o carioca de 2009. Muito pouco para um técnico de ponta com anos de profissão.

A nove rodadas do fim do campeonato brasileiro, o Cruzeiro pega a liderança. O time tem anos de regularidade e presença no G4. Merece um título que honre essas colocações. Mas tanto quanto o time celeste, o trabalho de Cuca nesses anos também merece ser campeão brasileiro para sepultar de vez a era Muricy e os insuportáveis campeões com retranca. Torcer pela raposa é torcer pelo futebol que queremos.

O fim do "problema" de Patrícia Amorim?

Publicado  quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O futebol é o carro-chefe do Flamengo. Não há nenhuma dúvida quanto a isso entre torcedores e boa parte dos sócios. Por isso, é de se criar um enorme espanto constatar que a atual presidente nunca teve nenhum planejamento para o futebol. Muito pelo contrário, a postura de Patrícia Amorim sempre foi de encarar o ludopédio como uma batata quente a se passar para frente.

Ao chegar Patrícia Amorim contou com uma das passagens mais compreensíveis e honestas de um presidente do Flamengo. Márcio Braga abriu as contas um mês antes de sua posse, antecipou sua posse, ofereceu toda a ajuda e apoio para uma transição tranquila que tornasse possível gerenciar um time campeão brasileiro. Como em uma piada pronta para atletas de natação, a presidente nada fez e manteve o vice de futebol da gestão Delair no cargo. Após a primeira perda de título o demitiu, segundo ela mesmo, porque seu grupo exigia outra direção.

Após meses em que acumulou as funções, Patrícia enumerou um conselho formado por nomes bizarros como Luiz Augusto Veloso, símbolo vivo do bordão "craque o Flamengo faz em casa... E vende!", e afins. Nada mudou, as negociações não evoluíram e após ter seu nome gritado pela torcida do Fluminense em um Fla-Flu, a presidente agiu. Renovou com um ex-jogador em atividade por dois anos, trouxe um ex-atleta do clube com 32 anos e, pasmem, trouxe o maior ídolo do clube de volta. Afinal, a batata quente estava em boas mãos.

Agora, depois de ajudar a queimar publicamente um ídolo incontestável, Patrícia recebeu de volta esse problemão chamado futebol. Contratou Vanderlei Luxemburgo, trouxe de volta o bizarro Veloso e volta a lavar suas mãos, vocação irretocável de sua gestão. A presidente crê que pode gerenciar a sede social e demais esportes, deixando outros carniceiros se digladiarem pelo futebol. É um direito da candidata eleita pelos sócios gerenciar o clube como quiser. Ela só não pode achar que não será responsabilizada por todos os fracassos que seus funcionários vão deixar.

Aliás, já é.

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Originalmente escrito para o Flamengonet e reproduzido para este espaço.

O Flamengo está morto. Longa vida ao Flamengo!

Publicado  sexta-feira, 1 de outubro de 2010


Sei da queda de Zico desde a tarde de ontem. O que se falava já era que o próprio diretor pediria demissão, mas ainda não havia um prazo. Não se esperava que Arthur Antunes Coimbra anunciasse sua saída em uma madrugada e ainda não está certo o que o levou a sair neste momento. Talvez o nascimento do neto ou a perspectiva de ter um mínimo de mãos nas rédeas e poder falar a respeito da forma como quisesse. E não como muita gente queria.

A vinda de Zico sempre foi algo mítico porque remontava a momentos mágicos do Flamengo. Queriam que o ídolo voltasse sempre com um quê messiânico de que seu retorno faria as coisas melhorarem por si só. Sempre se olhou para Zico com ares de deus, mas se esquecendo que seus poderes divinos não poderiam mudar o inferno que é esse Flamengo como conhecemos.

Um protesto contra sua saída ocorrerá ainda hoje e deixará a presidente Patrícia Amorim em maus lençóis perante seus eleitores no Leblon. Porém, dentro da sede social do clube muda muito pouco o clima para quem realmente manda. São essas pessoas que pouco se importam com o número de citações negativas no Orkut ou com os gritos de ordem no Maracanã. Se acham os donos do Flamengo porque enxergam em um clube qualquer da zona sul do Rio de Janeiro o templo supremo de uma marca que fez mais de 35 milhões de pessoas se apaixonarem.

A verdade é que ao pedir demissão, Zico talvez tenha cumprido com seu maior papel como ídolo do clube: acabar com uma época de sonhos e fé para que se encare a realidade. O Flamengo não mudará mais com uma chegada milagrosa. Só mudará com muita união de sua torcida e com o aumento de sua participação na vida política do clube. Este Flamengo está fadado ao rebaixamento, apequenamento e morte. Porém, existe um rubro-negro maior do que qualquer patente militar e que pode sim voltar a retomar o caminho da grandeza.

Todos que poderiam travar o bom combate já caíram com uma assustadora serenidade da impresa que parece ver em Kléber Leite, Marco Brás, Delair e outros, nomes que mereçam uma dose muito maior de paciência.

Resta à torcida lutar por uma realidade melhor. Vamos, Flamengo.

Réquiem para Neymar

Publicado  quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Há um exagero enorme de todos os lados.

Exageraram na hora de exaltar Neymar.

Exageram agora na hora de criticar. Exageram muito.

Já li até compararem com Bruno. Comparem com Romário, Djalminha, sei lá... Mas com um cara acusado de assassinato?

E agora o papo é que ele demitiu o técnico, mas quem demitiu foi o Santos. Ele cometeu um erro que DUVIDO que todos que criticam não tenham algo semelhante aos 18 anos. Agora, imaginem vocês com 18 anos, convocados para seleção e ganhando R$500 mil por mês? Sei de gente que não teria a sensatez que Neymar tem.

Brasileiro tem um problema sério com o sucesso. Sujeito compra carro caro é visto como arrogante, não respeita o povo pobre etc. Admiro todas as pessoas da minha área que ganham mais do que eu e sempre me inspiro nelas pra melhorar. O Neymar devia ser visto como exemplo positivo e não negativo.

No fim das contas, é um garoto que cometeu um erro. Tem 18 anos, mas ainda é um garoto como muita gente com 18 anos era. E o grande prejudicado com essa demissão não foi o Dorival e nem o Santos. Foi ele. Vai ser ruim para Neymar aturar o que virá.

Santos quer demitir Neymar?

Publicado  

A demissão do técnico Dorival Junior afeta por último o ex-técnico do Santos, que venceu todos os títulos que disputou esse ano, e mais o próprio clube. Símbolo do futebol brasileiro no primeiro semestre, o alvinegro praiano passa a ser o grande exemplo de amadorismo do final de ano. Mandou embora um técnico por uma ou duas rodadas a menos do jogador. Ainda assim, a instituição não sofrerá a pior parte das consequências.

O maior prejudicado pela demissão é Neymar. Ao demitir um técnico tão competente, o Santos colocou seu moleque-craque na esteira de receber as maiores críticas e ser pressionado por fazer técnicos caírem. Será que o "novo Robinho" dará preleção até a chegada do novo "professor"?

Agora, o rei da bola é Neymar. Até o fim do ano será cobrado por um erro, que seria até aceitável pela sua idade, mas que ganhou consequências terríveis graças à decisão da cúpula santista. Se ele era mais importante do que Dorival, então o melhor era manter o técnico e aceitar sua punição. É triste ver como lutam para corromper um futebolista tão promissor. Vão acabar conseguindo. O Santos parece querer demitir Neymar do cargo de bom moleque para readmití-lo como uma estrela mascarada. Vão acabar conseguindo.

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É até inacreditável ver alguns jornalistas dizendo que faltou jogo de cintura ao Dorival. Faltou o mesmo a Vanderlei Luxemburgo em 95 ao ser demitido por brigar com Romário? Ah, se fosse um clube carioca que fizesse o mesmo...

O moleque Neymar

Publicado  sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A idéia mais romântica do futebol vem de um termo que se confunde com o enaltecimento do velho malandro: a molecagem. O craque era menos o jogador sisudo que não gostava de perder e mais aquele menino que driblava como se não houvesse amanhã. Sempre houve uma certa beleza na declaração da estrela Denner: "as vezes acho o drible mais bonito do que o gol".

Neymar sempre foi o autêntico futebol-moleque. Seus defensores chegaram a sonhar com uma mudança no esporte que o protegesse ao invés de pedir que o jogador mudasse. Não conseguiram. Neymar mudou.

O moleque - no sentido mais romântico da palavra - mascarou, brigou, deu piti, levou a bola pra casa e outros termos que o mundo da bola já conhece. As respostas vieram rápido: ele foi criticado pela opinião pública, colegas de profissão e companheiros de time. Merece punição bem além do choro da sua mãe. Deve ser cobrado no bolso e na atitude.

Vivemos outros tempos que insistem em tentar matar o futebol-arte. Ninguém conseguirá. Porém, podem conseguir acabar com o futebol de Neymar. O moleque tem apenas 18 anos. Não sei você, mas com 18 eu não era um adulto ainda, estava mais para... Um garoto. E aprendi muito desde então.

Por mais que a falta de humildade e a soberba irritem, não podemos esquecer: Neymar ainda é um garoto. Deve ser punido e orientado como tal. Ou podemos perder um grande homem. E um grande moleque.